26/06/2021 às 08h00min - Atualizada em 26/06/2021 às 08h00min

Lázaro e Coringa, vítimas da sociedade. Sério mesmo?!

DÉBORA OTTONI
Foto: Reprodução/Internet
Certo dia, navegando na internet, me deparei com a seguinte notícia: "Jovem de 23 anos, nos EUA, prepara bomba caseira para usar contra as líderes de torcida da faculdade. Felizmente, a bomba falhou, e o rapaz teve uma das mãos e os dedos da outra amputados. Tudo para ‘acabar com o sentimento ruim dentro de si’. Ele se denominava INCEL (celibatário involuntário): se acha incapaz de encontrar um parceiro, apesar de desejar ter um."

Na hora, me veio nitidamente a imagem da criança dona da bola que, quando ninguém brinca do seu jeito, acaba com a farra e leva o brinquedo embora. “Se sou infeliz, vou tirar a alegria dos que julgo felizes, pois a minha infelicidade é culpa do outro!"

TODOS temos sofrimentos legítimos. Já fomos feridos, rejeitados e criticados. Falta-nos, na verdade, maturidade para lidar com nossas dores. O mundo não tem que mudar por nossa causa! Querer que as pessoas nos aceitem e nos amem é fantasia da nossa autorreferência e infantilidade.

A imaturidade permeia uma geração de homens e mulheres vitimistas, não suportam a realidade, que é a mesma para todos: dor, rejeição, injustiça, crítica e indiferença. Marmanjos egocêntricos vivem lambendo as feridas uns dos outros, culpando os fortes pelas suas fraquezas, justificando suas debilidades a partir do sucesso do outro e invejando as conquistas dos que se destacam. 

Não querem crescer porque exige esforço. Adotam discursos e ideologias que facilitam suas escolhas egoístas e irresponsáveis. Não amadurecem porque vivem para o prazer e autossatisfação, como eternas crianças.

Não somos mais educados para sermos virtuosos, para sermos indivíduos fortes e maduros, justamente porque nos faltam referências de ações que inspiram força, abnegação, nobreza e virilidade.

A decadência moral do ser humano se torna evidente quando um psicopata que mata uma família, comete estupros, mortes, torturas e crueldades, é considerado por alguns, alguém digno de compaixão pois, para eles, suas ações podem ser justificadas pelo fato de sentir rejeitado e vítima da sociedade.  Não duvido que, logo mais, sua história se torne roteiro de filme e ainda o coloquem como herói! (Alguém aí lembra do filme Coringa?)

E a tendência, infelizmente, é só piorar, pois muitos mecanismos políticos e sociais simulam empatia e proteção, mas só reforçam as debilidades e vitimização presentes em nossa sociedade. O convite para ser forte virou imposição social aversiva e, prontamente, é rejeitado por não ser atrativo às 'vítimas da sociedade'.

Ignoram que a virtude da força prepara o indivíduo para afrontar o perigo, suportar adversidades e superar fraquezas humanas. Isso todo ser humano deve desenvolver para estabilização física, psíquica e emocional.

Pessoas fracas são forjadas por discursos relativistas, que compactuam com o erro, minam a verdade e as afastam de ser e atingir o seu potencial maior. Nos tornamos fracos, neuróticos, depressivos, carentes e ansiosos ao negarmos que a força é um elemento pertencente à natureza do homem que precisa ser desenvolvido para sermos mais humanos.
Para lidar com o sofrimento e rejeição é preciso saber o que é força ao invés de relativizá-la com discursos como: "A culpa é do outro se sou fraco ou estou mal.". Difícil é assumir que eu é que preciso ser capaz de superar reprovação ou derrota e que ser forte depende SÓ de mim, pois assim, não poderei mais culpar ninguém. Por isso é mais fácil abraçar ideologias que fomentam nossas deficiências, nos permite ser fracos e detentores de direitos.

Querer que o outro seja forte, não é falta de empatia ou ignorar suas limitações. É um ato de amor, pois revela o desejo de apontar para ele todas as suas possibilidades de ser, dentro daquilo que ele é capaz, sem ser conivente com seus erros e fraquezas.
Me recuso a compactuar com dispositivos que reforçam o vitimismo e fraqueza do ser humano o afastando do mundo real e do seu amadurecimento.


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia. 
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