02/06/2021 às 09h00min - Atualizada em 02/06/2021 às 09h00min

Os negócios e o futuro: como encarar o novo normal

ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA
De forma drástica, as principais variáveis que estruturavam as vidas das pessoas sofreram profundo corte de descontinuidade. Enquanto emergencialmente nos adaptamos em fazer as reuniões por aplicativos virtuais usando o conceito de ambientes home office, silenciosamente cresce de forma avassaladora uma disrupção nas mais diversas cadeias produtivas, que provocara impacto definitivo em todos os setores da vida na terra.

Você já deve ter ouvido diversas vezes que o mundo pós-coronavírus não será mais o mesmo, que estamos caminhando para um novo normal. Mas como essas mudanças vão de fato acontecer? As medidas de isolamento criaram necessidades, receios e rotinas. Elas mudaram radicalmente os hábitos das pessoas.

Em meu ponto de vista entendo que, mesmo após a pandemia estar sob controle, é consenso médico e sanitário que jamais iremos nos comportar da mesma forma que antes. O espectro de uma nova pandemia ou outros tipos de riscos, que venham a mudar tão dramática e rapidamente nossas vidas, passarão a fazer parte de todos os modelos de negócio, independente da região geográfica da terra onde a pandemia Covid-19 tem se concentrado, todos alteramos nossas dinâmicas de trabalho e relacionamentos nestes últimos tempos.

Em todas as cadeias de valor, desde as mais simples até as mais sofisticadas envolvendo milhares de fornecedores em diferentes partes do planeta estão sendo seriamente afetadas, diluídas ou mesmo destruídas.

À medida que o perigo deixa de ser iminente nossas energias renascem e nos dirigem para o afastamento mais distante possível deste estágio e a mente pode voltar a pensar e permitir ao corpo sair do extremo estado de estresse que foi solicitado. 

Inúmeros questionamentos estão sendo feitos quanto ao nosso futuro, avaliaremos e processaremos as mais variadas informações visando definir um posicionamento para o que se chama de o novo normal. Haverá em um primeiro momento a tendência pela utilização dos modelos anteriores, porém os impactos, que por um lado foram devastadores, também forçarão a busca de opções imediatas, que talvez mesmo não sendo ideais, apresentarão direções para novas alternativas interessantes.

Milhares de organizações em todo mundo estavam em diferentes estágios dos seus processos de transformação digital, que certamente serão enfatizados visto que os agentes do ecossistema descobrirão ser muito possível e viável manter as atividades de negócios através da dimensão virtual. Como consequência, muitos serviços e produtos se tornaram incompatíveis com uma economia que preza pelo distanciamento e pelo online. A necessidade de responder de forma ágil à crise também coloca em risco modelos de negócio mais engessados, distantes da transformação digital e da inovação.

As respostas rápidas e eficazes à crise só serão possíveis quando a cultura da inovação estiver impregnada no ambiente das organizações. Por isso, é fundamental que possamos compreender o que está em jogo no mercado pós-pandemia para, podermos encontrar a melhor maneira de agir perante esse monumental desafio. Essa é a constatação da empresa de consultoria de inovação Board of Innovation, que retrata com precisão o futuro dos negócios depois da crise. Isso porque uma das consequências mais imediatas das medidas de isolamento social é a queda de circulação de consumidores em lojas físicas. O varejo tradicional, que dividia o espaço com o comércio eletrônico, perdeu temporariamente seu protagonismo. Utilizar a integração de todos os canais de vendas e atendimento online e offline para proporcionar uma experiência melhor ao consumidor passa a ser prioridade. Com a transformação digital, o comportamento dos consumidores se tornou híbrido, neste caso, as barreiras entre o online e o offline estão cada vez menores. 

Em um novo normal, muito provavelmente centenas de demandas presenciais serão ainda mantidas no ambiente virtual. Deste conceito, mesmo após os impactos da disruptura inicial, toda a cadeia de valor associada a logística de transportes terá de ser reconstruída para retomar sua relevância e necessidade. Em consequência, isto irá impactar fortemente o redimensionamento da infraestrutura das redes de comunicações e velocidades de tráfego para poder suportar uma súbita e crescente demanda. 

Vamos refletir: ... Essa já era uma realidade em tempos pré-pandemia, agora o investimento no online se torna imperativo. A tendência é que, pelo menos por algum tempo, os consumidores evitem transitar por lojas físicas e prefiram comprar de suas casas. Não é o caso de todas as lojas varejistas se tornarem e-commerce. Um exemplo simples de convergência de canais é a opção do consumidor comprar o produto online e apenas retirar na loja física mais próxima à sua residência.

Naturalmente, empresas que desejam continuar rentáveis e atrativas nessa nova realidade, precisam assumir imediatamente a transformação digital, e não é exagero dizer que estamos no momento mais propício para isso. Em outras palavras, esse novo normal de que tanto se fala depende, antes de tudo, da inovação.

Diante de todo esse cenário, as tradicionais empresas do mercado nos mais diversos setores, precisam estar em constante adaptação ao mercado sem perder o foco da sua lucratividade. 

Crises exigem respostas rápidas, e nem sempre há know-how suficiente para elaborá-las da forma mais assertiva e ágil possível. Por isso, mais uma vez, o que era uma tendência se torna uma realidade. Empresas de todo o mundo e dos mais variados ramos de atuação estão olhando para o mercado em busca de parceiros para somar forças e criar um efeito de rede de colaboração.

Os resultados dessa visão estratégica vêm em forma de benefícios mútuos e valiosos para o momento que estamos vivendo. O primeiro e mais visível é a união de conhecimento. A convergência de habilidades, equipes e serviços acelera o desenvolvimento de soluções válidas não só para a crise, mas principalmente para o pós-crise.

Pensando estrategicamente: ... O mercado como um todo está se movimentando para adaptar seu negócio ao novo contexto. Empresas que antes não pensavam no digital, agora correm contra o tempo, modelos de negócios que eram engessados, agora estão buscando quebrar esse paradigma. Processos e custos estão sendo revistos, novos nichos de negócios estão surgindo e quem não estiver com a devida flexibilidade, agilidade e visão do todo definitivamente não conseguirá sobreviver ao novo normal.

A lógica concebida e amplamente utilizada nos últimos anos, deverá enfrentar os desafios dessa única alternativa para o momento. Poderá, de uma parte, oferecer inéditas oportunidades de rápido reposicionamento para as empresas ou punir severamente organizações e países em um mundo onde o novo normal chegará para todos.


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