22/05/2021 às 08h00min - Atualizada em 22/05/2021 às 08h00min

Pressão Alta - Por que se preocupar?

JOÃO LUCAS O'CONNELL
Foto: Pixabay

A Hipertensão Arterial Sistêmica (popularmente conhecida como Pressão Alta) é uma das doenças de maior prevalência na população. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) estima que haja 30 milhões de hipertensos, cerca de 30% da população adulta! Entre as pessoas com mais de 60 anos, aproximadamente metade tem Hipertensão Arterial (HA). Embora o problema ocorra predominantemente na fase adulta, o número de crianças e adolescentes hipertensos vem aumentando a cada dia. A pressão alta caracteriza-se pela presença de níveis de pressão arterial elevados. 

 

A Sociedade Brasileira de Cardiologia define como níveis pressóricos iguais ou acima de 140x90mmHg (conhecido popularmente como 14 por 9). Pressões maiores ou iguais a 130x80mmHg são consideradas limítrofes e pressões abaixo destes valores são consideradas normais. Assim, apesar de o diagnóstico de hipertensão ser realizado somente quando a pressão se mantém constantemente em 140x90mmHg ou mais, a pressão ideal deveria ficar abaixo de 130x80mmHg. 

 

Quais são as causas?
 

Em 90% dos casos, a causa da HA é desconhecida, sendo chamada de HA primária ou essencial. Isto significa que a maior parte dos hipertensos está com os níveis pressóricos elevados em decorrência de uma tendência natural de elevação (herança genética), associada à exposição a uma série de fatores ambientais e adquiridos que podem piorar esta predisposição (obesidade, sedentarismo, estresse, ansiedade, tabagismo, erros alimentares e outros). Este é o mecanismo fisiopatológico envolvido maioria destes casos. Nos outros 10% dos casos, ocorre a HA secundária, ou seja, quando uma determinada causa é bem estabelecida e predomina sobre as demais, embora outras possam estar presentes. Algumas doenças que podem levar ao aumento secundário da pressão são: síndrome da apnéia obstrutiva do sono, por doença renal ou doenças da glândula supra-renal; hipertensão secundária à doença renovascular (provocada por estenose nas artérias renais); doenças da tireóide; HA relacionada ao uso de medicamentos - como corticosteróides, anti-concepcionais ou anti-inflamatórios; e outras.

 

Quem está em risco para desenvolver "pressão alta"?
 

Pessoas com história familiar de hipertensão podem apresentar maior risco para a doença. Também há uma maior chance de desenvolver a doença se houver: tabagismo, elevada ingesta de sal, alta ingestão calórica, excessivo consumo de álcool, obesidade, sedentarismo, ansiedade, sono inadequado e estresse emocional. Indivíduos portadores de algumas doenças ou que fazem uso de algumas medicações também estão mais predispostas (já comentado acima). 

 

O que sente o portador desta condição?
 

Na maioria dos casos, a pressão alta é assintomática e é por isso denominada de doença silenciosa. Quando os sintomas ocorrem, são inespecíficos e comuns a outras doenças tais como dor de cabeça, dor na nuca, tonturas, cansaço, náuseas, falta de ar e sangramentos nasais. Isto pode dificultar o diagnóstico ou fazer com que os pacientes esqueçam de usar os medicamentos necessários para controlar a pressão arterial.

 

Então, se não sinto nada, por que devo me tratar?
 

É necessário fazer o tratamento da Hipertensão Arterial mesmo se você não tem sintomas pois quanto mais alto o nível pressórico, maior a chance de ocorrência de eventos graves como o Acidente Vascular Cerebral e o Infarto Agudo do Miocárdio e outros problemas crônicos nos rins, olhos e artérias periféricas. O risco aumenta muito se a Hipertensão Arterial estiver associada a outros fatores de risco como: Diabete, colesterol alto, tabagismo, sedentarismo, obesidade, estresse emocional. O aumento da pressão arterial faz com que ocorram danos às artérias. Elas tornam-se mais espessadas e estreitadas, podem começar a ter placas de gordura aderidas a sua superfície, dificultando o fluxo sangüíneo. As artérias vão perdendo sua elasticidade, podendo entupir ou romper. Além disso, quanto maior a pressão e quanto mais tempo a pressão fica alta, mais difícil será o seu controle futuro.

 

Quais as opções de tratamento disponíveis?
 

Existem dois tipos de tratamento para os hipertensos: não-medicamentoso e medicamentoso. Um estilo de vida saudável é fundamental para controlar os fatores ambientais que influenciam negativamente a pressão arterial. Uma alimentação rica em frutas, verduras e vegetais, evitar a ingestão excessiva de sal, combater o sedentarismo e a obesidade, evitar o excesso de álcool e o cigarro colaboram para a redução da pressão arterial e para a diminuição do risco cardiovascular. Quando essas medidas não são suficientes para controlar a pressão arterial, o médico pode optar por introduzir medicações hipotensoras com o objetivo de reduzir a morbidade e a mortalidade cardiovasculares. O objetivo é reduzir a pressão arterial para valores inferiores a 130 mmHg de pressão sistólica e 80 mmHg depressão diastólica, respeitando-se as características individuais, a presença de outras doenças e a qualidade de vida dos pacientes. Existem várias medicações disponíveis no mercado e é possível, na grande maioria das vezes, conseguir uma ou mais medicações que ofereçam um bom controle pressórico sem que surjam efeitos colaterais importantes.



*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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