08/05/2021 às 09h00min - Atualizada em 08/05/2021 às 09h00min

O valor do tempo e de nossa saúde mental

Túlio Mendhes
Maio! Meu Deus, o natal não foi ontem? Os dias têm passado e nós temos vivido sempre um passo a frente do agora. Estamos ligados no piloto automático, trabalhando, estudando, namorando, cuidando de casa, de olho no preço da gasolina etc. Ultimamente mal abrimos a boca pra expressar que queremos – tudo se resolve no WhasApp. O contato humano está ficando muito restrito a: “Me passa seu pix”; “Chama um Uber pra mim?”, “Me segue no Insta”, “Só respondo no direct”...

Temos desejado tudo e todos ao mesmo tempo. Assim como temos comprado tudo como se fosse “suvenires” que logo será trocado. O que foi que aconteceu com a euforia do desejo, da espera, da conquista? O dinheiro que poderíamos gastar num jantar a dois ou numa viagem, acaba ficando pra trocar o telefone. É absurda a lógica disso tudo. Aprendemos a contar o tempo como algo numérico, uma relação entre a vida que segue e o “tic TAC” do relógio, sempre, inexoravelmente, seguindo adiante.

Quando paramos pra pensar a respeito... ‘PUFF”  lá se foi o primeiro semestre do ano. Como sempre, o tempo vai passando em um piscar de olhos. Logo as vitrines estarão enfeitadas despertando o desejo – o consumismo desenfreado. Não foi do nada que a depressão tornou-se o mal do século XXI. E o mais complicado é que ela ainda é incompreendida inclusive por quem sofre do problema. Já fala-se sobre uma epidemia de depressão pois ela atinge 10% da população mundial e esse índice tem aumentado a cada ano de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde – OMS.

Vivemos num mundinho privado onde nossas mentes só registram aquilo que é realmente “novo” para nós. Ou seja, tudo aquilo que virou rotina passa totalmente despercebido, sem ser notado? Lembra-se de todas as pessoas com quem falou no trabalho nos últimos dias? Você se lembra de tudo o que comeu na semana passada? Eu honestamente não lembro nem o que almocei agora a pouco Ao passarmos a semana trabalhando, em nossas rotinas diárias, mal nos lembramos do que aconteceu naquele momento, e quando vemos já chegou o final de semana.

É famosa frase: “Nossa! O tempo está voando! (E é isso que estou tentando dizer) Mas, quando estamos viajando, parece que o dia rende e nossas lembranças são muitas! Muitos têm queixado sobre o tempo, durante esta pandemia. O tempo, continua, sendo contado em vez de ser notado. Algumas pessoas ainda alimentam a ideia de que pra dar um jeito na ociosidade desses últimos, devemos todos sairmos para as ruas, desafiando o “Covid-19” é lutar contra o tempo de ficarmos restritos, obedecendo todos os protocolos de segurança, devemos tirar tempo pra ganharmos mais tempo.

Infelizmente as pessoas tem perdido tempo disseminando mentiras via internet, e não para ganhar as possibilidades de um mundo melhor, humano e solidário. As pessoas devem compreender que não podemos perder o tempo, porque ele não é uma mercadoria que podemos comprar ou vender. O tempo é democrático. De todos.

Para o bom equilíbrio de nossa saúde mental, muitos PRECISAM parar de perder tempo com coisas inúteis, inclusive com o seu tempo o tempo de. Tornou-se nossa obrigação deixar de se perder no tempo para outros, carecemos deixar de causar perdas e danos com o nosso tempo. Alguns ou quase todos vendem o seu tempo em troca de valores. Mas ainda existem os que veem o tempo como possibilidades, adquirir experiência para não precisar vendê-lo no amanhã. Pra hoje é isso, desejo que você perceba o quão lindo e misterioso em sua essência. Há tempo para tudo, para plantar e para colher, para viver em paz e para lutar. O tempo admite todas essas coisas. A escolha, no entanto, é nossa.




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