24/03/2021 às 15h04min - Atualizada em 24/03/2021 às 15h04min

Afinal, quanto estamos dispostos a pagar por nossas escolhas?

ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA
Nossas vidas são feitas de escolhas: a que horas levantar, que roupa vestir, qual tipo de comida comeremos no almoço, a que programa iremos assistir etc. Não raras essas escolhas são importantíssimas para o nosso futuro: o casamento, a carreira que iremos seguir, a aquisição do carro ou da casa própria. Por todos os lados e a toda hora temos que tomar decisões de escolhas.

Desde o início de nossas vidas temos que aprender a fazer escolhas, de escolha em escolha, vamos escrevendo as páginas da histórias de nossas vidas. Não é tarefa fácil, pois quando alguém escolhe ser advogado, por exemplo, estará fechando as portas das outras profissões para sempre; mas, não se pode ter tudo, não é mesmo?

O que muitas pessoas não sabem ou preferem ignorar é o fato de que, colhemos o que plantamos - Sendo assim, o que vivemos hoje é tão somente o reflexo de nossas decisões passadas. Não estou aqui afirmando que somos cem por cento responsáveis pela nossa história e pela atual situação de nossas vidas. Existem vários fatores externos que interferem exercendo forte influência sobre nossas escolhas: uma doença inesperada, uma morte de um parente querido, um acidente causado por um terceiro, um assalto e outros muito que podem influenciar nossas atitudes. Ainda assim nossa parcela de responsabilidade sobre nossas escolhas acaba sendo extremamente relevante. Cada um de nós é de alguma forma responsável por muitas das incertezas que atingem a nossa sociedade, através do descaso com as eleições ou da omissão em prestar solidariedade a alguém necessitado. Seja como for, as nossas escolhas acabam influenciando a vida de outras pessoas que na grande maioria das vezes nós nem conhecemos.

Todas as escolhas apresentam seus prós e contras, muita gente gostaria de ser uma pessoa diferente a cada ano só para deixar as experiências ruins para trás e recomeçar uma nova vida. Como nada disso é possível para quem tem caráter, nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, concorda?

É lógico que devemos reavaliar nossas escolhas e trocar de caminho, caso aquela não seja a mais conveniente – ninguém é o mesmo para sempre –, mas as mudanças devem acrescentar algo positivo para o futuro e não apenas anular as experiências vividas. A estrada da vida é longa, o tempo é curto e quanto menos errarmos, melhor.

Caso isto tudo tenha ficado bem claro e você tenha concordado comigo, Vamos refletir: ... nossas escolhas têm um preço, mas não escolher é fazer uma opção “burra”, seria como um empréstimo contra o futuro. Desde sempre é sabido que há consequências para cada ação que realizamos. Um preço, por assim dizer, a se pagar por nossas escolhas. De tempos em tempos, pagamos esse preço pelas escolhas feitas. Muitas vezes, pagamos um alto preço. Às vezes é tão alto que não conseguimos lidar com ele. Isso não significa que tenhamos errado. Apenas que para cada escolha há uma renúncia, sobre aquilo que, inevitavelmente, precisamos abrir mão. Não importa a nossa escolha, não podemos ter tudo. Sempre há algo que abandonamos. Até aqui, quantas coisas e pessoas ficaram no seu passado?

Desde as pequenas e insignificantes até aquelas que parecem catastróficas, deixamos algo para trás para termos outra coisa. Escolhemos um sonho invés de outro, a carreira profissional invés de família ou o contrário.

Quantas vezes escolhemos e nos arrependemos? Queríamos voltar no tempo, para poder fazer nova opção de escolha. A ansiedade cresce dentro de nós, conforme alimentamos nosso medo. Medo do futuro, do desconhecido, do próximo dia, da resposta àquela declaração, da reação e julgamento dos outros… medo.

A vida é um conjunto sucessivo de tentativas e erros. Descobrir qual a opção errada, é descobrir também que há outras maneiras de se fazer algo. E que de outras maneiras, pode dar certo.

Somos resultado de tudo que nos acontece, portanto, também somos resultados das escolhas de outras pessoas para nós. Assumir o controle é assustador demais, pensar em assumir o controle, e fazer nossas escolhas para onde seguir, não tem onde se esconder, não tem como fugir. É assustador assumir a responsabilidade que nossa liberdade e mesmo sendo assustador… sempre desejamos estar no controle de nossas vidas.

É muito natural não aceitarmos nossos erros e falhas. Isso nos torna medrosos, não nos faz querer tentar novamente com medo de errar. Fazer escolhas não é tão ruim ou difícil quanto acreditamos. Enquanto estamos analisando que caminho seguir, o que vamos decidir sobre algo, também já analisamos o que pode acontecer caso o caminho escolhido não seja o melhor para nós, ou ficar parado no mesmo lugar.

Todas as alternativas podem nos paralisar, ficamos inseguros sobre nós mesmos. O que acaba nos fazendo ficar quase sempre no mesmo lugar. Mesmo que seja desconfortável, não seja o que queremos, é o que conhecemos e, então, é o que sabemos como lidar.

Pensando estrategicamente: ... para cada escolhas que fazemos em nossa vida, estamos dispostos a pagar o preço por elas? O tempo vai bater em nossa porta um dia, e vai nos cobrar.

É através das escolhas que são feitas no hoje que tecemos e construímos as consequências, boas ou ruins, do amanhã. Nada é proibido, tudo é permitido. Você é dono da sua vontade para plantar o que você quiser. Mas só tem um problema, pois que a semente que você plantar hoje, obrigatoriamente, terá a colheita dos seus frutos no amanhã. Aliás, dessa colheita ninguém escapa pois, cedo ou tarde baterá à sua porta se sentará na sala ao seu lado.

"Há um velho ditado que diz: 'A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.' Em outras palavras, a vida que temos hoje é exatamente a resposta do que escolhemos e fizemos no passado."

Afinal, quanto estamos dispostos a pagar por nossas escolhas? 


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