28/01/2021 às 08h40min - Atualizada em 28/01/2021 às 08h40min

Revolução e democracia nas cidades

CLÁUDIO DI MAURO*

O primeiro enfoque deve ser conceituar, o que entendo como ações revolucionárias. Considero que todas as ações de “empoderamento” dos Movimentos Populares que o ajudam em sua libertação, com capacidade para decidir e manter as conquistas obtidas, são revolucionárias e podem desaguar em uma outra forma de organização.

Atualmente NO BRASIL cerca de 85% das pessoas vivem em áreas urbanas. As cidades, não são reconhecidas em suas importâncias para a vida humana. Elas não estão destinadas para todos os setores sociais.

Há que se pensar e agir para que se dê a Revolução Popular pelas ações nas cidades reconhecendo que os modelos atuais, reforçam as explorações e os privilégios em favor das classes sociais que dominam através da luta de classes.

Vamos discutir a construção da Revolução fundada na Democracia Popular, a partir dos lugares.

Nossos objetivos implicam no enfrentamento para derrotar o Colonialismo, o Patriarcado, o Racismo, o Feminicídio que são componentes da estrutura sócio econômica sustentando o capitalismo em sua forma “financeirista”. Há que se rechaçar os formatos adotados pelas organizações sociais que comandam o processo atual, sustentado e defendido por uma estrutura subserviente, militarizada.

Os modelos de exclusão social nas cidades e nos campos são sustentados pela história do colonialismo escravagista que ainda condiciona a história na América Latina.
A identificação desses pilares define as estratégias de combate nas cidades e nos campos. O atual sistema sócio-econômico impede o desenvolvimento das pessoas e dos agrupamentos sociais.

A forma que prevalece no atual formato de organização da sociedade leva aos privilégios que só atendem minorias, e é preciso que tenhamos direitos para atender todos a partir das necessidades da maioria. O Estado capitalista reforça os interesses do capital, de minorias e engana as pessoas para manter o sistema de dominação. Valoriza o que é externo, privilégios, oferecendo como possibilidades que nunca serão alcançados pelos setores subalternizados. Há um esforço governamental e de mídias para enganar as pessoas e manter o atual sistema de dominação.

Num mundo com tantas carências ter sobras para concentrar riquezas e bens, deveria ser entendido como agressão.

A Constituição Brasileira diz que todas as pessoas têm direito a habitação, à saúde, à educação, ao progresso social. O Estado tem obrigação de garantir alimentação, casa, acesso à saúde e educação para toda população. Há imensos setores subalternizados que são descartáveis e são descartados, morando nas ruas, em áreas de conflitos e riscos... Não há procedimentos com objetivo de produzir felicidade. O Estado não cumpre suas mínimas obrigações embora não esteja desestruturado...ao contrário, ele é competente pois cumpre a função que lhe é atribuída de garantir privilégios.

O que pode mudar tal realidade nas cidades é o povo instruído, alimentado, consciente de si mesmo, de seus valores. Ao invés de atender essas necessidades humanas, o Estado e a “Grande Mídia” se encarregam de convencer as pessoas de que não alcançam o sucesso por suas próprias culpas, fraquezas e incompetências. Assim o sistema ensina e culpabiliza as pessoas por aquilo que chamam de “seus fracassos”.

O Bolsa Família corresponde à média de 42 reais por pessoa e são 107 milhões de pessoas que se declaram com necessidade de receber a ajuda emergencial. Trata-se de uma população excluída de tudo o que lhe é direito.

No capitalismo, o central é a acumulação.

As pessoas não são centrais, a água limpa, a moradia, os componentes da natureza não são os bens mais importantes. O capitalismo se retroalimenta na superexploração da força de trabalho e nos demais componentes da natureza.

O importante é o dinheiro.

Quais são as principais edificações urbanas?  Veremos o destaque para as bancárias a serviço do interesse das finanças. As vezes são edificações de igrejas que ajudam a defender os interesses dos setores financeiros.

Quem deveria ter as melhores edificações?  Seriam as escolas, as áreas públicas de atenção à saúde?

As relações nas cidades só darão certo e serão pautadas em relações simétricas, pacíficas se mudarmos o jogo. As cidades só têm sentido se forem para buscar um mundo justo.

Por isso dizemos com todas as forças: DEPEJO ZERO nas cidades, nos campos. Especialmente em tempos de pandemia. O Poder Judiciário pode atuar com atenção nas carências dos setores subalternizados...

Direito à Moradia, à Cidade. Respeito à Função Social das propriedades e das Cidades.

No capitalismo, o Estado os diversos níveis e esferas estão apropriados pelo capital, para defende-lo e se sustentam em oligarquias agrárias, financeiras, rentistas, donos das terras urbanas e incorporadoras imobiliárias...

Daí, sempre será importante a questão: A Serviço de Quem e do Que estamos dirigindo as comunidades e nossas cidades? Quais interesses prevalecem?
As estruturas governamentais somente terão sentido se forem capazes de abrir os espaços de participação aos movimentos populares para que eles tenham poder verdadeiro.

Os embates possuem uma perna institucional, mas não se pode abandonar as grandes lutas que envolvem os movimentos populares. Que todos tenhamos compromissos com o bem dos setores subalternizados...
 
*Agradeço as colaborações de Iara Helena; Arlete Moysés Rodrigues e Cláudio Passos


Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

 
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