20/01/2021 às 08h00min - Atualizada em 20/01/2021 às 08h00min

Parafraseando em Economia: falta oxigênio para os negócios

ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA

"Falta oxigênio para a economia. Tem muita empresa morrendo! Pelo amor de Deus!" Esse é o clamor feito pelos empresários, mostrando a situação dramática por que passam as empresas em virtude do aumento de casos da Covid-19, assim como os trabalhadores e seus familiares que entraram em desespero e usaram as redes sociais relatando a falta de incentivos para atender as empresas em fase terminal, todas vítimas da nova onda do coronavírus.

Em uma agência bancária um pequeno empresário não identificado pede socorro, solicitando ao gerente a prorrogação para o pagamento do empréstimo que foi contraído no início da pandemia, tudo para honrar compromissos ao final do mês. Nas imagens colhidas no local, ele afirmou que o banco está dividindo os recursos disponibilizados pelo governo entre as grandes empresas. Esses recursos seriam destinados principalmente para salvar e manter as micro e pequenas empresas, que são as responsáveis pela maioria das vagas de empregos disponibilizados para o mercado.

Um presidente de Sindicato da categoria divulgou um vídeo no início da semana afirmando que vários bancos já estão sem dinheiro para atender a tanta demanda. Ele chama a atenção para a gravidade da situação e pede que o governo entre com socorro emergencial imediato, senão faltará “oxigênio para a economia”.  

Essa estória passa em um local do planeta, comumente chamado de “país do futuro”. Voltando para a história, chamo a atenção para os acontecimentos recentes passados nesse país, desde que foi declarada a pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no início de 2020.

A duas semanas de 2021, o Brasil passava por um novo embate político, a disputa pelo Congresso Nacional, que se configurava como mais um entrave para o andamento da agenda econômica - que incluía temas como a PEC Emergencial e o Orçamento. Caso as propostas não fossem votadas naquele momento, especialistas acreditavam que a política seria um percalço para o andamento da Bolsa brasileira. Na última semana do ano, apesar do avanço semanal em 1,2% no Ibovespa, graças, principalmente, ao fluxo de capital estrangeiro, o desempenho dos ativos ficou limitado pelas indefinições políticas que seguem no radar dos investidores.

Transcorridos aproximadamente um mês, em Brasília, o foco continua na disputa política para decidir se Rodrigo Maia (DEM) conseguirá eleger seu substituto Baleia Rossi que será o candidato do grupo à presidência da Câmara.

Em 1º de fevereiro, os 513 deputados federais vão escolher o novo presidente da Câmara. Nesse dia a disputa entre Arthur Lira (PP-AL), preferido do Palácio do Planalto, Baleia Rossi (MDB-SP) e Fábio Ramalho (MDB-MG), promete desdobramentos imprevisíveis.

No Senado, o ambiente também é de eleição e os principais nomes cotados para a presidência são o senador Rodrigo Pacheco. Seu partido o PP conta com sete senadores. Com a bancada, Pacheco chega a cerca de 39 senadores nos partidos que o apoiam - "Acreditamos que o senador Rodrigo Pacheco se identifica com os anseios progressistas de unificar o Senado Federal em torno de projetos que vão garantir a retomada do crescimento econômico do país pós-pandemia e as reformas de que o Brasil precisa", afirmou o presidente do partido.

O MDB anunciou a senadora Simone Tebet (MDB-MS) como a candidata do partido à Presidência do Senado. Ela terá como principal adversário o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), nome escolhido pelo atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), para sucedê-lo.

Dono da maior bancada do Senado, o MDB já havia comunicado que lançaria uma candidatura própria. Nesse cenário, foi escolhida a senadora Simone Tebet como o melhor nome para a disputa à presidência do Senado. Segundo o partido, ela "sempre primou por uma postura política independente e corajosa" e sua candidatura é também uma forma de respeito às mulheres.

Vamos refletir: ...as expectativas dos investidores após o segundo turno das eleições municipais em 29 de novembro eram de que os planos da agenda orçamentária e a pauta de reformas seriam retomadas, no entanto, não foi o que aconteceu. Em relatório publicado no dia 30 de novembro, o analista político da XP Investimentos Pedro Gama, acreditava que “concluído o ciclo das eleições municipais, Brasília voltaria à ativa com pouco tempo para se resolver até o fim do ano, já que as discussões econômicas foram contaminadas pela eleição da Câmara e do Senado”.

A cronologia dos acontecimentos embaralhou ainda mais o cenário político econômico nacional, devemos considerar que o Brasil é um dos epicentros globais da pandemia de covid-19. Superamos o triste marco 210 mil mortes por covid-19. Cada morte é uma perda inestimável. Perdemos mais de mil trabalhadores da saúde, que seguem enfrentando seus medos, na linha de frente do combate ao coronavírus.

Pensando estrategicamente... a "guerra da vacina” desde o seu início, não observando as recomendações científicas sobre a evolução da doença, de um lado, os governadores e prefeitos que querem assegurar a vacina o mais rapidamente para sua população, em um embate que antecipa a disputa de 2022 e cria fraturas no federalismo brasileiro. O maior adversário do Executivo Federal no tema é o governador de São Paulo, que apostou no desenvolvimento da vacina Coronovac. No meio da disputa, está a população brasileira, que observa o aumento diário no número de infectados e mortos pela covid-19.

Diante de tanta incerteza, o Supremo Tribunal Federal foi convocado a se posicionar. Provocado por ações de partidos políticos, a Corte exigiu que o governo federal submetesse um plano de vacinação e deu 48 horas para o governo apresentar a data de início da vacinação.

A vida não pode esperar, a politização da vacina coloca em risco os brasileiros e a nossa economia. É o momento de unirmos esforços para a aquisição e aplicação de todas as vacinas com segurança e eficácia comprovadas em toda a população.

Falta oxigênio para salvar vidas! Falta oxigênio para salvar a economia!

Onde estão nossos dirigentes que não atentam para essas prioridades?


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.


 

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