24/12/2020 às 08h29min - Atualizada em 24/12/2020 às 08h29min

​Porque hoje é natal: o Brasil poderia estar como um país de indignados?

CLÁUDIO DI MAURO
SIM, um país de indignados, mas também de luta, repleto de esperanças! O Natal poderá nos tornar mais solidários e determinados!

A situação atual da nossa população é próxima do desespero: desemprego, falta de moradia, fome, desespero, pandemia com verdadeiro risco de adoecer e matar por coronavírus. Junto com isso, vemos governos da União, de Estados e Municípios que não adotam posturas sociais, econômicas, ambientais, adotam sim políticas que agridem especialmente os setores sociais que Florestan Fernandes chamava de subalternos.

As crises são de várias dimensões, mas se fundamentam no modelo social e administrativo que vigora politicamente. Para enfrentar essas situações o caminho tem que ser político. É preciso deslegitimar esses governantes e os modelos que atuam apoiados pelas oligarquias financeiras, nacionais e estrangeiras. É indispensável fazer a luta que deslegitime esse estilo que busca a destruição de todas as conquistas sociais e políticas, obtidas durante décadas pela população brasileira.

Assim, significa que no Brasil está em disputa, seu presente e seu futuro. Neste momento está vencendo o modelo de financeirização capitalista, seja no campo, com o agronegócio capitalista, seja nas cidades com a privatização das propriedades, dos serviços e a segregação dos setores populares.
Torna-se indispensável uma ruptura com o modelo vigente. E, a luta deve ser na instituição e no movimento popular. Como diz José Genoíno, essas são duas pernas do mesmo corpo.

Não é possível pensar num País cujas estruturas continuem delimitadas pela concepção da propriedade privada, sem explicar e sem garantir sua função social. Não é possível a continuidade do sistema de impostos que preserve os interesses dos super-bilionários, sem interferir na base do sistema financeiro. Não é possível continuar a aceitação de que a religião seja expressão e mantenha a função comercial, como em muitos casos vem sendo tratada, ou seja como um negócio mercadológica. É indispensável que os meios de comunicação sejam radicalmente democráticos, afinal são concessões do Estado. Também é indispensável a revisão dos processos de organização das forças armadas e do sistema Judicial, rejeitando inteiramente as diversas formas de tortura que são contra a concepção humanística.

Como afirmou Zenaide Wanderlind: “ELES afastam, prendem exilam, os lideres quando não matam. Mas as forças populares são brasas que não se APAGAM. Pelo contrário, renascem com muito mais LUZ, FORÇA, CLARIDADE E BRILHO”. 

Eu também fui submetido a esses absurdos do autoritarismo contra as lideranças políticas. Não me levaram às mesmas injustiças e aos mesmos níveis das perseguições feitas contra José Genoíno, Lula, Zé Dirceu e outros. Mas, até mesmo “companheiros partidários” me apunhalaram, para me tirar dos processos políticos, acreditando em acusações falsas e indevidas. Me tiraram de disputas, mas não acabaram com minha rebeldia.
Continuo rebelde, lutador e tenho José Genoíno, Zé Dirceu e Lula como estimuladores.

Para construir esses componentes, a disputa não pode permanecer apenas no âmbito institucional. Governar no capitalismo é de imensa e continua disputa. Por isso, deve estar com apoio e articulado com os movimentos sociais. Os governos progressistas precisam estar ancorados e apoiados nos movimentos sociais populares. Imaginar que a disputa se dá apenas no âmbito institucional é um grande equívoco. Foi o equívoco, por exemplo vivido nos governos de 2002 até 2016. Faltou buscar o apoio e a presença dos movimentos sociais dos setores populares. Essa participação sim, constituirá na revolução pela cidadania e esse deve ser o caminho para a revolução popular no Brasil.

O Brasil precisa se livrar dessa estrutura autoritária, escravagista (não vencida), dominada por homens brancos, proprietários e donos dos meios de produção. Temos que vencer esse modelo no qual está delimitada a luta de classes. Por isso, cabem as lutas bem definidas para 2021. Defesa da vacina para todas e todos; vencer a pandemia e as narrativas atrasadas e autoritárias dos governantes que não possuem projetos para enfrentar a crise sanitária que exige o fortalecimento e a salvaguarda do indispensável SUS; torna-se fundamental a luta pelo trabalho, pela distribuição das rendas e das riquezas, defendendo da quebradeira geral os pequenos e médios produtores rurais e empresários urbanos. Os pequenos comerciantes e comerciários que se fixam nas bordas e bairros urbanos. 

É indispensável reconhecer que mais de 80% da população brasileira vive nas áreas urbanizadas. É indispensável se repensar as estruturas e funcionamentos das cidades. É preciso garantir condições de moradia para todas as famílias e as forças populares e institucionais de esquerda devem estar articuladas e juntas para garantir unidade nessas lutas. 

Que sejamos solidários, capazes de produzir transformações, NÃO APENAS PORQUE HOJE É NATAL !!!
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