05/12/2020 às 08h00min - Atualizada em 05/12/2020 às 08h00min

Verdades secretas de um tal sistema imunológico

TÚLIO MENDHES

E mais uma vez trago o assunto como pauta. Infelizmente estamos mais uma vez indignados com tamanha negligência comportamental de parte da população uberlandense “brincando” com o contágio de um vírus mortal. Nos últimos dias tenho ouvido e lido tanta baboseira, vinda de pessoas com boa instrução, mas que ultimamente quando abrem a boca só têm saído asneira.  Além do fato de se vangloriarem por ainda não ter sido contagiados (graças aos super poderes que acreditam ter), ousados, batem no peito e se vangloriam de seu “Super SI”stema Imunológico jurando de pé junto não precisar de toda essa baboseira como máscara, álcool, distanciamento social, lavagem das mãos da forma correta, etc.

Aff deu até um nojinho básico só de falar desse tipinho de ser – ser chato. Bom, desabafo realizado com sucesso, vamos aos termos técnicos, com terminologias profissionais e com seriedade, afinal é esse comportamento que devemos adotar ao falarmos sobre a batalha contra o coronavirus que, além dos “seres” citados na introdução de hoje, há ainda uma poderosa batalha de “in” e desinformações sobre a doença, por exemplo:

Olha só algumas informações divulgadas e de cara ridicularizadas:

“– Cê sabia que mesmo de máscara a gente pode “pegar” o coronavírus?”

“– Mulé... tu fiques esperta vice! Hipertensão aumenta o risco de tu “pegá” Covid!”

“– Miga, vamo tomar um chazinho de erva doce antes de ir pra festa? Minha vó falou que a erva-doce tem a mesma substância daquele medicamento “flu-alguma coisa” hahahaha, risoflú hahahahaha PÉRAAA lembrei! Tamiflu, é isso mesmo, tamiflu ajuda bastante no combate do coronavírus!

Bom... sobre esses três casos, vamos explorar a veracidade!

O primeiro afirma que quem usa máscara está isento ao contágio do vírus! Gente, gente isso é de tamanha VERDADE, isso porque a máscara previne o contato entre as partículas contaminadas exaladas pela pessoa doente e a mucosa oral e nasal do que ainda está sadio. CONTUDO, quando não são cumpridas todas as recomendações de segurança, a infecção pode sim ocorrer. Por exemplo, se a pessoa tocar em uma superfície contaminada e, sem lavar as mãos, “coçar”o olho, é possível haver a infecção, mesmo no uso de máscara. Isso ocorre, pois a máscara apenas protege o nariz e a boca do contato com o vírus, ela não protege, entretanto, os demais locais possíveis de contaminação. Por isso a pessoa que divulgou isso pra o amigo está dizendo a verdade!.

Agora vamos ao assunto “arretado” da amiga preocupada com a outra! Ela afirmou pra amiga que o fato dela ser hipertensa, aumentava o risco de contágio. A “Mulé” que deu a dica, felizmente está bem informada, portanto, é VERDADE!. Pacientes de doenças crônicas, como a hipertensão arterial sistêmica (HAS), têm sim maior chance de contraírem o vírus e de apresentarem complicações no decorrer da doença.

Quanto às “migas”, vamos esclarecer que o simples fato de estarem se preparando para ir numa festa, automaticamente estão aumentando e muito a probabilidade de serem contagiadas e depois contagiarem outras pessoas. A segunda observação está no saboroso chazinho de erva doce (hum deu vontade)! O fato de beber ou não essa receitinha de vó, não isenta ninguém do contágio, e muito menos substitui o tratamento adequado contra o coronavírus.

Concluindo, a certeza que temos é que o nosso sistema imunológico é a proteção natural do nosso corpo no combate as infecções. Entretanto, ele sozinho não basta pra isentar alguém do coronavírus. Ele não nos dá imunidade ao vírus. Portanto, ter anticorpos não é o mesmo que possuir defesas e estar imune à Covid-19.

Concluindo o meu desabafo lá no início do texto, as pessoas estão "brincando com fogo" no que diz respeito ao vírus. Essa brincadeira, baixando a guarda, terá como resultado um pandemônio. Se até aqui tivemos alguma redução de curvas de crescimento foi graças ao distanciamento social, e se reduzi-lo dará ao coronavírus um passe livre. Se as pessoas mantiverem alguma proteção, mesmo não tão efetiva, isso tornará a doença menos perigosa. O fato é de que todas esses debates são importantes aos quais ainda não temos respostas.

*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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