10/11/2020 às 08h30min - Atualizada em 10/11/2020 às 08h30min

No tempo das gincanas

ANTÔNIO PEREIRA
Alguém consegue identificar siglas como CCU ou UMC? São entidades passadas que permitiram à cidade folgar em fins de semana e feriados com suas promoções esportivas e divertidas que enchiam ruas e praças. CCU foi o Clube Ciclístico Uberlandense que na década de 1951 ofereceu a um animado público acirradas disputas pelas ruas da cidade. Eram nossos velocistas: João Marra, Vinicius, Duca, Manteiga, Zé Arraia, Sementeira, Bolivar, Salinzinho (Suaid), Izídio, Zezinho, Chiquito, Zé Domingos e outros. UMC foi o Uberlândia Moto Clube fundado nos finais da década de 51. 

Começou nas oficinas de Intermáquinas, na praça Tubal Vilela. Depois, alugaram um cômodo no terceiro andar do prédio de Irmãos Garcia onde ficou até meados da década de 1961, quando foi desativado. Era clube de moços, com apoio de alguns madurões de alma jovem, que divulgava na cidade e região o uso pacífico e esportivo das ferozes máquinas de duas rodas, não obstante ser tempo de James Dean e juventudes transviadas.

Uma de suas práticas que movimentavam a cidade era a gincana que reunia a flor da juventude local. A primeira gincana foi patrocinada pela firma Irmãos Garcia & Cia Ltda e realizou-se no Praia Clube, em 1957. Algumas das provas organizadas pelo Décio Tibery e sua diretoria, foram Balizas, Gangorra, Funil, Chapéu, Laranja, Argola, Bexiga, Moringa e outras. Eram provas difíceis e alegres, cheias de resultados surpreendentes, quedas, banhos, farinhadas, lambrecas de ovos, muito riso.

No dia da “lambretada” houve passeata, os concorrentes desceram do alto da avenida Afonso Pena (estação da Mogiana, onde é a praça Sérgio Pacheco) até o Praia. Quem venceu essa Gincana foi o casal Aldair Cardoso e Elza Teixeira de Freitas. Seguiram-se, até o quinto lugar, os casais: Álvaro Silva Jr. e Márcia Bastos, Farid Hubaide e Magda Zago, Sebastião Magnino e Márcia Macedo e Ricardo Magnino e Marlene Crosara. Na lanterninha, em 30o. lugar ficaram Hamilton Garcia e Miriam V. Gonçalves.

A segunda gincana teve o patrocínio do UMC. Foi na Praça Tubal Vilela. Antes do início das provas, lambretas e motos ficaram concentradas num dos lados da avenida Afonso Pena, da rua Tenente Virmondes até a Quintino Bocaiúva. Eram centenas de veículos. 

Abriu o desfile das máquinas a Banda Municipal, sob a batuta do maestro Barraca, que desceu a avenida acompanhada por uma multidão de motoqueiros. A praça foi cercada por cordas tantas eram as pessoas que acompanhavam as disputas. Havia concorrentes de Uberaba, Araguari e Ituiutaba. Entre eles, Cláudio Crosara, Alcides Helou, Walter Garcia, José Peixoto, Carlos Augusto e muitos outros. Um dos vários fatos pitorescos dessa gincana deu-se na prova do pote. A moça que estava na garupa do Walter Garcia ao desferir o golpe para quebrar a moringa acertou no gargalo e a moringa caiu inteira na cabeça do seu companheiro. Esta Gincana foi vencida por Alcione Zago e sua noiva.

A terceira gincana também foi organizada pelo UMC e novamente voltou a se dar na praça Tubal Vilela. Com os mesmos preâmbulos da segunda, a rapaziada alegrou o grande público que rodeou a praça. Entre os concorrentes, Primo Crosara Neto, Mauro Marques, Jarbas Gomes, Bizica, Célio Regal, Gracinha, Barbeiro Sinistro (Ciro), Alfredo Schiavinatto e muitos outros. Novamente a prova do pote deu nota pitoresca. Uma das moças que tentou quebrar o pote, errou a pancada e acertou a cabeça do seu companheiro identificado apenas como “Motociclista Misterioso”.

Infelizmente as fontes que consultei sobre as duas últimas competições não registraram datas e, para a terceira, nem os vencedores. São raras as referências às companheiras dos motociclistas. Que coisa, o machismo, me perdoem. É seguro que a segunda e a terceira gincanas se deram entre 1957 (ano da primeira) e 1960 (ano da revista do Uberlândia Moto Clube que as noticiou.

Houve outra gincana que descobri bem depois destas. Foi organizada por Irmãos Garcia com o nome de “Grande Gincana Garcia”. Foi em outubro de 1959, na praça Tubal Vilela. A entrega dos prêmios foi na sede do UMC. Agenor Garcia fez a entrega na presença de um representante da Lambretta do Brasil. Os cinco primeiros lugares foram para Décio Pedrosa, Cléside Detoni, José R. Peixoto, Cláudio Crosara e Marcelo Borges. Como acontecia naqueles tempos, não foram citadas as companheiras dos vencedores.

Com o passar dos anos, esse tipo de folguedo foi rareando até desaparecer de vez.
 
Fontes: Revista Praia Clube de 31/12/1957, Revista Elite Magazine de outubro de 1959 e Revista Uberlândia Moto Clube de março de 1960.


*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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