29/10/2020 às 08h00min - Atualizada em 29/10/2020 às 08h00min

É grátis

IVONE ASSIS
Diante de tantos ataques desencadeados neste ano, sobretudo agora, quando se chega à reta final das eleições, fiquei a pensar na obra “A arte da guerra”. No Capítulo IV, enquanto o autor fala sobre a disposições das tropas, vai ensinando sobre as habilidades que competem a um guerreiro que aspira habilidade, haja vista que a invencibilidade depende do próprio sujeito. “Ser invencível significa conhecer a si mesmo, ser vulnerável significa conhecer ao outro”. Desse modo, os talentosos podem se tornar invencíveis, mas devem evitar a vulnerabilidade do inimigo. Aqui temos, no mínimo, duas leituras: primeira, estando vulnerável, o inimigo se torna mais perigoso; segunda, toda ação pede honra. Saber o caminho que leva à vitória não significa que quem trilhar tal caminho vencerá. Assim sendo, é possível “prever uma vitória”, mas é impossível forjá-la. “A invencibilidade está na defesa; a vulnerabilidade, no ataque” (TZU, 2011, p. 41). Quando o sujeito está em perigo, ou quando faltam-lhe argumentos, ele passa a atacar para tirar o foco de si. Trata-se de uma busca fajuta para transferir a culpa ao outro.

Então, para quem busca a vitória, seja qual for a demanda, deve primeiro se conhecer, porque conhecendo-se, saberá dos seus pontos fracos e fortes. Será estrategista, pensará antes de agir. Fará planejamentos. E quando abrir fogo na batalha, saberá também conter o mesmo fogo, para não se queimar. Quando há eficiência no combate a incêndios, ninguém sai chamuscado.

“bom guerreiro toma posição onde não pode perder e atenta ao que leva o inimigo à derrota” (TZU, 2011, p. 42). Isso evidencia a importância do saber e da estratégia, a fim de não desperdiçar as oportunidades. Um sujeito prudente faz uso do respeito e da disciplina, ações que abrem caminho para ao sucesso. É no “despreparo do inimigo”, que o sujeito promove sua eficácia.

Quanto mais ataques, maior a fraqueza e mais evidente o despreparo. A vida não é um jogo de erros e acertos. Fazem-se necessárias o planejamento e a tomada de decisões com conhecimento, promovendo ações eficientes e eficazes. Só assim é possível alcançar sucesso.

Carlos Drummond de Andrade, em “Mãos dadas”, escreve: “Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros. Estão taciturnos, mas nutrem grandes esperanças. Entre eles, considero a enorme realidade. O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. Não serei o cantor de uma mulher, de uma história, não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela, não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins. O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente. (Drummond., 1983, p. 132).

O poeta chama a atenção para a importância de se valorizar o presente e viver de forma coerente e feliz, com sensatez e prudência, estimando o outro. Ninguém precisa se esconder atrás de nada para revelar-se. O bom senso é sempre um eixo norteador, que funciona como um GPS (ou bússola, ou mapa). Se, por alguma razão, ele lhe falta, pare um pouco e corrija o problema antes de prosseguir. É devagar que a tartaruguinha ganha a imensidão do oceano. É de gota a gota que a chuva se faz e molha toda a terra em segundos. Veja a vida como o uso sol, perigosa se não tiver cautela, maravilhosa se souber viver. Nada é tão importante que impeça o sol de por todos os dias, e nada é tão insignificante, que o impeça de nascer. Ninguém é tão rico que possa impedir a morte. Para viver bem, só precisamos dos quatro As: Ar, Alimento, Água, Amor, o que exceder é lucro. Aproveite a vida! É grátis.


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
 
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