15/10/2020 às 07h30min - Atualizada em 15/10/2020 às 07h30min

Planos para Uberlândia

EDSON PISTORI | ADVOGADO E DOUTOR EM GEOGRAFIA

Começaram a ser exibidas na TV as propagandas dos candidatos à Prefeitura Municipal de Uberlândia. Como de costume, os primeiros programas são dedicados a apresentar aos eleitores a biografia e o currículo dos postulantes.

Nas próximas edições da propaganda obrigatória devem aparecer as narrativas sobre a cidade e o que os candidatos pretendem fazer caso sejam eleitos. No entanto, é difícil avaliar a consistência de uma candidatura apenas pelo o que é exibido na TV, devido ao pouco tempo disponível para apresentarem em detalhes as suas propostas.

Além disso, os marqueteiros descobriram que na busca pelo voto a embalagem vale mais que o conteúdo. Preferem investir na imagem de um candidato simpático e sorridente a ter que convencer o eleitor e a eleitora da importância das medidas que serão tomadas num futuro governo.

E é assim que o debate sobre os Planos para a cidade fica secundarizado, colocado de lado como algo sem tanta importância. E a disputa eleitoral vira uma mera gincana entre as siglas, cada uma com as suas torcidas organizadas com palavras de ordem esvaziadas de sentidos e argumentos.

Oito dos nove postulantes a prefeito de Uberlândia registraram seus programas de governo para a cidade junto à Justiça Eleitoral. Os programas de governo de Adriano Zago (PDT) e Wallace Alves (PSOL) são os mais extensos com cerca de 20 mil palavras cada. Arquimedes (PT) apresentou um programa com 12 mil palavras e todos demais usaram menos de 3 mil palavras para explicar as suas propostas para a cidade.

É claro que “tamanho não é documento”, mas para uma cidade do porte de Uberlândia, onde os problemas urbanos se acumulam, o número de páginas reduzido de um plano indica ou a extrema capacidade de síntese ou que o candidato não tem uma perspectiva de cidade tão abrangente a ponto de apresentar um projeto completo de gestão. Particularmente, acho que a 2ª hipótese é a mais provável.

A maioria dos políticos olham para as demandas públicas de maneira superficial, as explicam pelas causas aparentes e, por sua vez, as soluções propostas surgem a partir do senso comum. Não é à toa que existem tantos projetos mal sucedidos, programas estapafúrdios, obras inacabadas ou inúteis.

Nas eleições deste ano, nenhum dos programas de governo, nem o do atual prefeito, trazem um diagnóstico da cidade com dados gerais e muito menos informações financeiras sobre quanto custará para colocarem em práticas as ideias que estão propondo. Também não há em nenhum plano apresentado um mapa básico em que se aponta a localização na cidade das medidas que pretendem realizar.

Além dessas duas ausências, outro ponto comum que se nota é a falta de uma nota de explicação sobre como os programas foram elaborados, as metodologias utilizadas e suas referências, e principalmente as pessoas que participaram dos debates que os produziram.

Com o intuito de avaliar mais a fundo os planos que estão disposição para a escolha do eleitor em 15 de novembro, publicarei nos próximos dias uma sequência de artigos analíticos sobre os méritos dos programas apresentados por todos os candidatos a prefeito de Uberlândia, apontando virtudes, insuficiências, contradições e comparando-os entre si.

A ideia é colaborar no debate político sobre o futuro da cidade, dando aos planos para a cidade o destaque que merecem. Pois, afinal, quem não tem planos e não sabe para onde quer ir, qualquer destino serve.

*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.




 

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