05/09/2020 às 08h30min - Atualizada em 05/09/2020 às 08h30min

Culto ao corpo: qual o limite da vaidade? Em excesso se transforma no Distúrbio Dismórfico Corporal

TÚLIO MENDHES

Vamos conversar sobre o a cultura da estética e todo o nicho da indústria da beleza? Pois bem... Você, provavelmente, conhece alguém descomedidamente, obsessivamente preocupada com a beleza! Convenhamos que, até certo ponto, é comum e saudável nos preocuparmos com nossa imagem, afinal, contribui pra saúde de nossa autoestima, além de propiciar benefícios pra o nosso corpo. Noutro aspecto essa preocupação facilita e muito a aproximação e comunicação com os conhecidos “VIPs”. Facilita também a ascensão profissional, como muitas pesquisas já comprovaram a associação entre a boa aparência à conquista de cargos e salários mais altos. Entretanto, esse hábito deixa de ser motivo de orgulho e realização pessoal e passa a conceber sentimentos preocupantes como ansiedade, melancolia – sintomas de um transtorno psíquico, que os especialistas denominam como TIC – Transtorno de Imagem Corporal ou DDC – Distúrbio Dismórfico Corporal. Cientistas de todo o mundo atuam para estabelecer com diligência e exatidão as razões e indícios desse transtorno com o propósito de contribuir e viabilizar o diagnóstico e tratamento.
 

Os sintomas do Distúrbio Dismórfico Corporal podem ocorrer de forma gradual ou súbita. Embora a intensidade dos sintomas possa variar, o transtorno é considerado crônico, a menos que os pacientes recebam tratamento adequado. Os sintomas comumente envolvem a face ou cabeça, mas podem envolver qualquer parte do corpo ou várias partes, podendo mudar de uma parte para outra ao longo do tempo. Por exemplo, os pacientes podem se preocupar com perda de cabelo, acne, rugas, escaras, marcas vasculares, cor da fisionomia, excesso de pelos faciais ou corporais. Ou pode focar em forma ou tamanho de uma parte do corpo, como nariz, olhos, ouvidos, boca, mamas, região do “bumbum”, pernas ou outras partes do corpo. Homens (e raramente mulheres) podem ter uma forma do transtorno chamada dismorfia muscular, que envolve a preocupação com a ideia de que seu corpo não é suficientemente magro e musculoso. Os pacientes podem descrever as partes do corpo de eles que não gostam como repugnantes, feias, deformadas, abomináveis ou monstruosas. Como muitos pacientes se sentem envergonhados e embaraçados demais para revelar seus sintomas, o DDC pode ficar “dentro do armário” demorando se revelar por anos. O transtorno é diferente de preocupações normais com a aparência, pois consome tempo e causa desconforto significativo, prejuízo no funcionamento ou ambos.
 

O “Papo Saudável” também é cultura, então quando surge um tema polêmico, “escavo” fundo pra conseguir referências, por exemplo, sobre o TIC – Transtorno de Imagem Corporal e o DDC – Distúrbio Dismórfico Corporal. Na “escavação” encontrei um “cara” chamado Franz Kafka (1883-1924), ele era um escritor tcheco que costumava se referir à própria aparência de maneira depreciativa. Para se ter uma ideia do quanto sua autoestima era baixa, alguns dos adjetivos que ele mais usava quando falava de si eram “miserável” e “desprezível”. Ele era muito cismado com seus ombros achando-os caídos. Em outros trechos, ele implicava com seus braços e os citavam como “braços desajeitados”. Ele também era complexado com sua “postura encurvada”. Sentia pavor de espelhos, porque segundo ele, eles refletiam uma feiura inescapável”.
 

Seria ele tímido, vaidoso ou antissocial? Nenhuma dessas opções. Tudo leva a crer que ele lutava contra o chamado DDC – Distúrbio Dismórfico Corporal Distúrbio que, hoje, atinge 2% da população, cerca de 4,1 milhões só no Brasil. Huuuum... outro dado curioso é que o DDC atinge mais as mulheres do que os homens e em tempos de redes sociais e o culto ao corpo em alta, esse transtorno tem encontrado terreno fértil para florescer.
 

Por traz deste distúrbio, existe um intenso sentimento de menos valia, da busca incansável de reconhecimento, de se sentir desejado, admirado e amado. Infelizmente, todos esses desejos configuram uma enorme fome de amor. Mas pra saciar essa “fome”, o tratamento para esse distúrbio está na terapia cognitivo comportamental que, adaptada aos sintomas do DDC. Abordagens cognitivas, exposição e prevenção de rituais são elementos essenciais da terapia. Os profissionais fazem os pacientes enfrentar as situações que eles temem ou evitam e, ao mesmo tempo, pedem que eles se abstenham de realizar seus rituais. E assim como a abordagem na terapia, é o que devemos fazer diariamente. ENFRENTAR, LUTAR contra nossas complexidades, nossos medos, contra os demônios interiores que menosprezam nossas forças. Você vale mais do imagina!
 

Por hoje é isso. Até a próxima!

*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.




 

 
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