13/08/2020 às 15h38min - Atualizada em 13/08/2020 às 15h38min

Mais um final de semana triste para o Brasil

CLÁUDIO DI MAURO*
O final da semana que passou foi composto de fatos muito tristes e significativos. Perdemos uma grande figura de nossa história com o óbito de Dom Pedro Casaldáliga, Bispo Emérito de São Félix do Araguaia.

Homem extraordinário por sua determinação e compromisso com os princípios mais elevados das transformações de realidades das populações subalternas no modelo socioeconômico. Esse era e sempre será o Pedro dos pobres, como ele gostava de dizer: “Rebeldemente fiel ao fatigante dia a dia”.

“A paz é de lutas, com a urgência do Reino. Paz do pão, da fome e da justiça. A paz da liberdade conquistada.” Pedro Casaldáliga lutou bravamente para que a terra seja destinada para quem nela trabalha. Não se conformava em ver as propriedades rurais e urbanas, sem cumprimento de sua função social. Por essas suas lutas, Pedro foi perseguido e teve que se livrar de várias emboscadas promovidas pelos interesses dos latifundiários.
 
O anel preto que ele levava aos dedos era feito de uma árvore da Amazônia. Segundo ele, repleto de espíritos que lutam com os pobres e indígenas. Quem o carrega, está comprometido com tais setores sociais. Afirmou Casaldáliga... "A Teologia da Libertação é a própria fé cristã se voltando para os pobres"...

Pedro Casaldáliga de peito aberto, sempre enfrentou e é um ícone da luta contra a ditadura militar, nos momentos mais agudos esteve presente, com determinação.

Pedro Casaldáliga disse: "Hoje faço poesia no modo de me comunicar, de gritar as dores e as esperanças do povo e de passar o evangelho cantando. Minha poesia tem sido uma poesia comprometida”.

Mais um fato lastimável foi a morte da atriz negra Chica da Silva. Uma lutadora pela verdadeira libertação dos escravos. Afinal, o Brasil continua sob a égide escravocrata.

A luta dos negros precisa ser apoiada. Chica da Silva é um ícone dessa luta.

São predominantes originários da África os ascendentes das mais de 100 mil pessoas mortas pela Covid-19. Também das mais de 3 milhões de pessoas contaminadas pelo vírus.

São 152 os Bispos da igreja Católica Romana que escreveram e assinaram a “Carta ao povo de Deus”. Trata-se de um texto que critica a "incapacidade" do governo Bolsonaro frente à pandemia e se manifesta pela vida e pela democracia. O documento ganhou apoio de diversas lideranças e movimentos sociais. Veja-se como inicia a Carta ao povo de Deus: “Enquanto os lucros de poucos crescem exponencialmente, os da maioria situam-se cada vez mais longe do bem-estar daquela minoria feliz. Tal desequilíbrio provém de ideologias que defendem, a autonomia absoluta dos mercados e a especulação financeira...”

Imediatamente, centenas de padres subscrevem apoiando a carta escrita pelos Bispos, afirmado “Como recordam os Bispos, nós não somos motivados por interesses político-partidários, econômicos, ideológicos ou de qualquer outra natureza. Nosso único interesse é o Reino de Deus”.

Mas onde estão as responsabilidades por tantas contaminações e mortes? A falta de uma liderança nacional é um grande problema – Bolsonaro não se comporta como um líder que ajude a população a enfrentar e vencer a pandemia. De maneira irresponsável disse que se tratava de uma gripezinha, um resfriadinho... Estimulou as pessoas a não fazerem o afastamento necessário, estimulou o contrário, a aglomeração, sem uso de máscaras. Ofereceu até mesmo e foi atacado por um medicamento que não é recomendado pelos especialistas em infectologia.

Não assumiu a centralidade no combate a pandemia, mudou três vezes o ministro da Saúde e concluiu por colocar um General que nada possui de vínculo com a Saúde. Em outras palavras, o Brasil é como uma nau à deriva com um ministro da Saúde interino e assim mostra que continuará.

Bolsonaro é um embusteiro, um verdadeiro criminoso contra a saúde da população Brasileira. Transferiu responsabilidades para governadores e prefeitos, sem apontar os caminhos e as mínimas ações indispensáveis. Com isso, diversos governadores e a maioria dos prefeitos ficaram sem rumo e se comportando com dubiedade. Fecha quase tudo e logo depois abre quase tudo, sem critérios corretos e sem respeito as palavras da ciência com seus especialistas. Um bando de gente sem qualidade técnica para realizar tarefas que precisariam de competência, eficiência e eficácia.

Até onde suportará a população brasileira diante dessa ignomínia? Quando e em que medida será a reação popular diante do quadro de morte que está traçado para nossos parentes e amigos? Teremos que esperar a morte chegando em nossas casas para termos a dignidade da reação?
 
*Participação de Jhenifer Gonçalves Duarte, discente do curso de Jornalismo da UFU




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