11/08/2020 às 09h26min - Atualizada em 11/08/2020 às 09h26min

A TRÁGICA MORTE DE DALMO RUGANI

ANTÔNIO PEREIRA
Era um moço alegre, sempre disposto a dizer “sim”. Gentil. Nasceu em Poços de Caldas em 1912 e veio para Uberabinha em 1922 com seus pais Sílvio Rugani e Margarida Mantovani. Aqui fez os primeiros estudos enquanto ajudava o pai, industrial e construtor.

Em 1936 construiu-se, em Uberlândia, um campo de aviação particular nas terras de José Alves dos Santos. No ano seguinte, chegou à cidade o aviador Antônio Marincek que instalou uma Escola de Pilotos.

Imediatamente vários interessados matricularam-se: Tito Teixeira, Carlos Vilela Marquez, Galileu Vilela Marquez, Eurico de Andrade Vilela, Said Neto, Amadeu Marchiori, Antônio Poli, Jeremias Silva, dr. Antônio Mendes dos Santos, José Camin Filho (Tiquino), Aristóteles Silva e a Titina (Damartina de Freitas).

Dalmo matriculou-se em 1940.

Em 1942, com mais onze amigos, foi brevetado. Durante algum tempo permaneceu na Escola auxiliando os instrutores e ajudando no táxi aéreo que era uma das formas de manutenção do curso.

Era outubro de 1947. Dalmo e Tito Teixeira dirigiam-se de automóvel para o aeroporto Eduardo Gomes quando foram interceptados por Bolivar Ribeiro. Vinha de sua usina de açúcar, a Santa Tereza, à procura do Dalmo para que levasse um de seus técnicos a Araxá. Dalmo estava com intensa dor de cabeça e procurou esquivar-se indicando outros colegas.  Mas tanto insistiu o Bolivar que ele acabou aceitando a incumbência. Foi até o aeroporto, voltou à oficina do pai, comprou uns comprimidos e combinou com o Tito, a quem chamava carinhosamente de “Veínho”:

- Olha, Veínho, vou levar o passageiro, mas nem vou desligar o motor lá. Volto imediatamente. Chegando aqui, sobrevoo a cidade para você ver que cheguei. Você vai me buscar no aeroporto.

A dor de cabeça estava insuportável e, em Araxá, sem desligar o aparelho, correu a tomar um copo com água e seu comprimido, embora soubesse que, toda a vez que tomava comprimidos contra dor, desmaiava. Mas ela estava demais.

À tarde, Tito ficou à espreita, olhando para cima e nada do paulistinha riscar o céu. Paulistinha era o nome do modelo do pequeno avião.

Nove horas da manhã do dia seguinte e nenhuma notícia. Tito ligou para Araxá e de lá informaram que ele tinha levantado voo na véspera. Tinha descido apenas para tomar um copo com água. Numa das farmácias de Uberlândia, Tito soube que o Dalmo comprara comprimidos. Ficou apreensivo. Organizou uma equipe de busca e resgate. Carlos Vilela Marquez rumou diretamente para Araxá, Ataliba Moreira seguiu pelo flanco esquerdo e Jeremias Silva com Wanderlei Ferreira seguiram pela direita. Carlos Vilela foi e voltou sem novidades. Ataliba sobrevoou Nova Ponte, Santa Juliana e a Usina Pai Joaquim, também sem trazer notícia. A 24 quilômetros de Uberlândia, Jeremias Silva notou um objeto reluzente à beira de um capão de mato às margens do rio Uberabinha. Pousou ali por perto e chegou até o local onde deparou com o Paulistinha de borco e o seu piloto debruçado numa das asas, morto. Voltou a Uberlândia onde se fez uma caravana de amigos que, de automóvel, foram para o local. Lá confirmaram a tragédia. Peões que recolhiam areia no rio confirmaram que, na véspera, um avião parecia voar torto, em ângulo de descida, e pensaram que ele procurasse um lugar para pousar.

A posição do corpo de Dalmo sobre a asa indicava que o moço infeliz tinha acordado com o baque e tentara sair caindo sobre a asa. A guinada que os peões tinham observado indicava que ele desmaiara e caíra sobre o manche fazendo com que o avião pendesse para um lado. O aparelho bateu com uma asa no chão e capotou, Dalmo enfraquecido e machucado, tentou sair e caiu sobre a asa. Tinha o rosto manchado de sangue.

Seu corpo ficou exposto no Salão Nobre da Prefeitura Municipal e foi enterrado no Cemitério São Pedro.
 
                             
Fonte: Tito Teixeira
 




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