30/07/2020 às 17h37min - Atualizada em 30/07/2020 às 17h37min

Ler é desanuviar a mente

IVONE ASSIS
A leitura é um modo de enxergar o invisível. Quando lemos, descobrimos coisas, ampliamos a criatividade, tiramos os ferrolhos dos olhos e abrimo-nos ao conhecimento. Ler é romper os grilhões que aprisionam a mente no mundo da ignorância.

Para Eliana Yunes (1995, p. 184) “Ler significa descortinar, mudar de horizontes, interagir com o real, interpretá-lo, compreendê-lo e decidir sobre ele. Desde o início a leitura deve contar com o leitor, sua contribuição ao texto, sua observação ao contexto, sua percepção do entorno. O prazer de ler é também uma descoberta”.

Sábio é aquele que aproveita seu tempo livre para embarcar em uma boa leitura. Lê-se a todo instante: placas, letreiros, receitas, bulas, cartazes, legendas... cada leitura tem a sua função, mas pegar um livro (romance, conto, filosofia, bíblia, história...) e lê-lo de capa a capa é mais que mera utilidade, é alcançar prazer no conteúdo, é mergulhar na poesia que a literatura extrai do mundo. Quando se lê uma obra completa, o leitor passa a ter conteúdo para montar uma fortuna crítica sobre o produto lido, saindo, assim, do conhecimento raso.

A leitura assemelha-se a uma refeição. Não deve ser automatizada, feita por fazer, somente para cumprir uma necessidade. A leitura, tal qual a refeição, deve ser degustada. É preciso identificar o sabor ingerido. Se a Psicanálise ensina que prazer é um estado de contentamento, ainda que transitório, então, entenda que a leitura também deve propiciar satisfação no leitor, mesmo que seja apenas enquanto lê. Embora saibamos que uma boa literatura é como nota olfativa, provoca um contentamento infindo e se eterniza na memória.

Ler é abrir-se para a sensibilidade e o conhecimento. Quantas não são as vezes em que, lendo um livro, somos tomados pela emoção? A leitura remexe os sentimentos, faz acareações entre querer e sentir. Por isso é importante que se escolha bem a obra a ser lida, assim, havendo mudanças, que se mude para melhor.Na obra “Sangue verde”, David Gonçalves (2014, p. 120) escreve: “A floresta foi sendo devorada. Os garimpeiros, com a febre do ouro nos olhos, fuçavam o rio e a terra, bamburrando. Por esse tempo, apareceu o poeta, defendendo a floresta, os bichos e as águas dos rios. Na selva, o que um poeta vinha fazer? Poeta é raça de asfalto...”. Esse romance é um igarapé de palavras e conhecimento, vem denunciando o lamento da floresta, a impunidade, a ambição; também vem rasgando veios de questionamentos sobre o “impossível”. E mesmo com tantas tragédias, traz poesia.

Se a leitura propicia prazer, não pense que se trata de um fast food. Não, não. O prazer da leitura está atrelado ao aprendizado, e o caminho percorrido para alcançá-lo é árduo. Somente os determinados conseguirão o gozo da leitura. Nada que é bom vem fácil. No pulsar da vida, toda excelência demanda conhecimento, esforço, persistência, treino... É esse conjunto de ações que forma vencedores. Ler é caminhar em direção ao pódio. Para qualquer área que se opte trabalhar, é o verbo que fará a abertura do contrato que dará vida ao projeto, ao longo do processo.

A leitura é a namoradinha do leitor, ela encanta, faz companhia, convida a viagens inimagináveis... A leitura é manjar dos deuses, ela alimenta, sacia, e dá um prazer enorme. A leitura é remédio, ela dá disposição e cura da solidão, da ignorância... A leitura abre os olhos e a mente do leitor. A leitura é tecnológica, e tal qual um aplicativo, ela oferece exatamente o que o leitor solicitar. A leitura não deve ficar apenas a cargo da escola, mas, sim, a cargo do indivíduo na sociedade. É em casa que se iniciam as leituras. Quando o indivíduo valoriza a palavra escrita ele faz do livro um conselheiro, e da informação uma espada para se defender, quando preciso for, porque ler é desanuviar a mente.




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