24/06/2020 às 07h56min - Atualizada em 24/06/2020 às 07h56min

PIB 2021, o agronegócio será a salvação da lavoura

ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA
O mercado tem como certa uma contração da economia neste ano, tudo isso como consequência das medidas de contenção do coronavírus, é o que mostrou recentemente a pesquisa Focus do Banco Central. Para os especialistas consultados, neste momento há sinais claros de uma contração de 6,25% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. Para 2021, permanece a expectativa de uma recuperação de 3,50%.

Conforme dados apresentados pelo IBGE, o PIB brasileiro contraiu 1,5% no primeiro trimestre deste ano sobre os três meses anteriores (out, nov, dez), mostrando a mais forte retração desde 2015.

Para a maioria das outras estimativas, os economistas veem uma inflação de 1,55% este ano e alta do IPCA de 3,10% em 2021. Levando em conta que o centro da meta oficial de 2020 é de 4 por cento e, de 3,75 por cento para 2021, ambos com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Por outro lado, é opinião corrente entre vários economistas que a taxa básica de juros deve terminar este ano em 2,25%, sem alterações, com a projeção sendo ajustada para 3,29% em 2021.

“O resultado negativo da atividade econômica no primeiro trimestre de 2020, embora esperado, coloca fim à recuperação econômica em curso desde o começo de 2017, afirmou a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia, em nota sobre o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, divulgado recentemente”.

Apesar de todas as circunstâncias, existe uma luz no fim do túnel para a retomada e recuperação da economia, representada pelo desempenho do agronegócio. É certo que o PIB do Agronegócio não será tão fortemente atingido quanto outros setores da economia.  Assim, é possível afirmar que o agronegócio será fundamental no impulsionamento da economia brasileira durante a crise econômica. 

Entretanto, isso não significa que o setor não sofrerá os impactos da pandemia do coronavírus. O agronegócio brasileiro já registra perdas na produção e descartes de produtos no campo, bem como sérias dificuldades de exportação de produtos por vias aéreas.
No momento, é imprescindível o estímulo econômico por parte do governo, principalmente junto aos produtores rurais, haja vista a menor proporção de seus negócios. Abertura de linhas de crédito, diminuição na taxa de juros. “A Selic sofreu uma queda vertiginosa nos últimos tempos, passando de 14% para 2,25%%.

Apesar de todos os senões, a produção de grãos no país será mesmo um recorde. Está estimada em 250,5 milhões de toneladas, ou seja, ou 8,5 milhões de t (3,5%) a mais do que o colhido em 2018/19. Os dados foram divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), recentemente. 

O 9º Levantamento da Safra 2019/2020 aponta que a área semeada foi de 65,6 milhões de hectares, com crescimento de 2,3 milhões de hectares (3,6%) sobre a safra passada.

O Plano Safra 2020/2021 traz mais recursos e taxas de juros menores para agricultura familiar. Em um momento de tantas incertezas o Plano Safra trouxe “Avanços para o Desenvolvimento e a Segurança Alimentar”. Em recente conferência a ministra destacou que todas as medidas previstas no Plano têm como objetivo apoiar o pequeno e médio produtor, setores que mais precisam da ajuda do Governo Federal. “Queremos que todos estejam inseridos na base produtiva do país, que possam crescer”, ressaltou, acrescentando que o objetivo é ampliar a produção dos agricultores familiares para conquistarem a categoria de médios produtores e, assim, poderem aumentar o limite de seus financiamentos.

Vamos refletir: ... segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a produção mundial dos dois principais grãos (soja e milho) deve crescer em 2020/2021, será 100 milhões de toneladas maior na próxima safra Segundo a USDA.

Com base no relatório de estimativa de oferta e demanda para a agricultura mundial, divulgado em (12/5) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), é esperada uma expansão de 6,4%, para 1,186 bilhão de toneladas das duas commodities.
Para o Brasil, a previsão é de aumento de 5 milhões de toneladas no próximo ciclo, para 106 milhões.

Para as exportações mundiais, é esperado o aumento de 12,9 milhões de toneladas, com um total de 182,2 milhões de toneladas do cereal. O Brasil deve aumentar os embarques em 2 milhões de toneladas, para 38 milhões.

Pensando estrategicamente: ... Mesmo em meio à crise e ao cenário de pandemia, o agronegócio vem apresentando resultados positivos, ajudando a reduzir o impacto negativo da economia brasileira e deve ser o motor da recuperação, quando ela começar, segundo números do setor.

Por tudo isso, podemos afirmar que o agronegócio será a salvação da lavoura para o PIB em 2021.



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