06/05/2020 às 12h00min - Atualizada em 06/05/2020 às 12h00min

Jorginho, Flamengo de Luto

ADRIANO SANTOS
Jorge Luiz Domingos, o funcionário mais antigo do Clube de Regatas Flamengo foi vítima do Covid19. Com 68 anos de idade, campeão mundial em 2002, ex-funcionário da seleção brasileira, Jorginho, além de muito querido, trabalhou com os grandes feras do futebol brasileiro.

No Flamengo, geração de Zico, Andrade, Júnior, dentre tantos, o futebol brasileiro perde um personagem completíssimo na história do Flamengo e da Seleção.

Jorginho viu o Flamengo vitorioso em 2019, o Flamengo viu Jorginho se despedir em 2020, logo agora que era notório que o Flamengo mexia os bastidores para a volta dos treinamentos.

O Flamengo está de luto, talvez a falta de humanização do processo faz com que algumas medidas sejam criticadas. O Flamengo mandou vários funcionários embora, sem sequer anunciar a redução salarial dos jogadores.
Talvez já feita, mas sem anúncio a imprensa, a dúvida que fica: será que os salários milionários não resolveriam a não demissão de tantas pessoas?

O Flamengo pressiona a FERJ, a FERJ pressiona o Ministério da Saúde, que liberou a volta das atividades a nível nacional.
Será que o futebol está acima de tantas demandas do Brasil?

Acredito que, claro, haja sim locais que poderão voltar as atividades com todo equilíbrio possível exigido pelo momento atual, a realidade de cada cidade e estado será o norte dessas decisões, mas não é o caso do Rio de Janeiro.

O Rio de Janeiro é um dos locais no País que mais sofre com a desigualdade social e ausência de estrutura básica para responder a Pandemia nesse momento.

O Flamengo já está marcado na história tão somente pela grandeza e também pelo fato ocorrido com os garotos do ninho, as mortes por negligência em um dos momentos de maior estruturação financeira do clube.

O Flamengo não pode ter mais esse péssimo exemplo ao mundo, forçar a volta das atividades no Rio de Janeiro é um suicídio a marca, as projeções e ao que representa aos seus torcedores.

O Flamengo tem que dar exemplo ao Brasil, fazer como grandes clubes do mundo fizeram, reduzir salários, alimentar pessoas, projetar com segurança.

O Internacional de Porto Alegre voltou as atividades, as medidas foram gigantescas, treinos em grupos menores, academias vazias, funcionários todos preparados, álcool em gel, medição de temperatura. Pós tudo isso, eu pergunto: vale a pena?

Claro que no Sul são bem menores os índices da Covid19, porém os danos à marca, influência na vida dos seus torcedores.

O Jorginho de Zico, de Romário, de Nunes, de Júnior, De Pet, de Gabigol, de Arrascaeta, de Adriano, o Jorginho perdeu a batalha, o Flamengo não pode perder a guerra.

O Flamengo está de luto.


Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.


 
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