04/04/2020 às 08h00min - Atualizada em 04/04/2020 às 08h00min

Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)

TÚLIO MENDHES

Você conhece alguém que “do nada” muda subitamente de humor? E aquele amigo “carente” que tem medo de ser abandonado pelos amigos? Aquele parente que nega, mas tem comportamentos impulsivos, como comer compulsivamente ou gastar dinheiro descontroladamente? Pois é... Sabia que essa pessoa pode ter o chamado TPB – Transtorno de Personalidade Borderline? É aquela “velha” observação: Nem tudo é frescura!

Bom na atual classificação da Organização Mundial de Saúde, o TPB está incluído no capítulo dos transtornos de personalidade emocionalmente instável – erroneamente confundido com a bipolaridade. Mas, somente um psiquiatra pode diagnosticar e indicar o melhor tratamento. O Borderline é um transtorno mental grave caracterizado por um padrão de instabilidade contínua no humor, comportamento, autoimagem e cognitivo. Os sintomas mais comuns englobam instabilidade emocional, sensação de inutilidade, insegurança, impulsividade e relações sociais prejudicadas. Geralmente, as pessoas com TPB têm momentos de estabilidade, noutros alternam com surtos psicóticos. Elas fazem esforços frenéticos para evitar o abandono, provocam automutilação e até tentativas suicidas.

Esses sintomas podem se manifestar com estresses durante a primeira infância, adolescência e vida adulta. Como exemplo entram em pânico ou ficam furiosos quando alguém importante para eles se atrasa ou cancela um compromisso. Eles pensam que esse “abandono” significa que eles são pessoas ruins. Em contraste sentem empatia e cuidam de uma pessoa, mas somente se acharem que essa outra pessoa estará disponível para elas sempre que necessário. Os acessos de raiva intensa levam a explosões comportamentais e de violência. Tais explosões podem ser deflagradas quando são confrontadas ou frustradas, sentindo assim raiva, ódio ou fúria intensa.

O transtorno de personalidade borderline não tem cura, historicamente foi visto como difícil de tratar. No entanto, com um tratamento mais moderno e adequado, indivíduos diagnosticados têm apresentado uma qualidade de vida melhorada. Algumas sugestões de tratamento são as intervenções psicoterapêuticas como a terapia cognitiva comportamental que focaliza a desregulação emocional e a falta de habilidades sociais. Tratamento baseado em mentalização que visa ajudar no relacionamento com os outros com empatia e altruísmo, tem ainda psicoterapia de suporte que é muito útil, o objetivo é estabelecer um relacionamento emocional, encorajador e solidário com o paciente e, assim, ajudá-lo desenvolver mecanismos de defesa saudáveis, especialmente nos relacionamentos interpessoais.

Constatando que apenas a psicoterapia não tem evoluído, o paciente deve ser direcionado, o mais rápido possível, para o tratamento medicamentoso prescrito por um bom psiquiatra. Os fármacos devem ser administrados com moderação e sistematicamente para sintomas específicos. Medicamentos como os estabilizadores de humor, por exemplo, a lamotrigina que é para depressão, ansiedade, instabilidade de humor e impulsividade. Em alguns casos é necessária a prescrição de antipsicóticos pra o controle dos pensamentos paranoicos, pensamentos maniqueístas e desorganizações cognitivas graves.

Enfim, o profissional de saúde mental deve ter a sensibilidade, flexibilidade e o bom senso de dar orientações técnicas e de relacionamento aos familiares sobre o curso, prognóstico e tratamentos disponíveis da doença. Cabe ainda explicar, de forma ética e respeitosa ao paciente, que isso não implica em qualquer quebra de sigilo profissional. Deve-se deixar claro ao paciente que a orientação aos familiares com a

sua devida autorização, tem um objetivo construtivo, para que os benefícios alcançados sejam potencializados. Lembrando que se algum tratamento não demonstrar resultados satisfatórios, mesmo após um tempo prolongado, uma segunda avaliação profissional pode ser importante, afinal, pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline podem se recuperar.

Até a próxima!

*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.








 

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