07/03/2020 às 09h30min - Atualizada em 07/03/2020 às 09h30min

Hoje faço 42 anos!

ÉRIKA MESQUITA

Dei este título ao meu texto do Fatias de Afeto de hoje, pois na data de amanhã, 8 de março de 2020, eu farei 42 anos. Gosto de falar a minha idade, sem nenhum constrangimento, sem divisão de números, apesar de ser uma idade bastante complexa, em que nada parece coerente.

Vou esclarecer...

Hoje, fazer quarenta e dois anos me parece muito estranho, me sinto confusa, envelhecer se tornou perceptível no espelho, então penso, já era hora, em algum momento isso iria começar a acontecer, e olha que me sinto mais bonita, interessante e conteudista hoje que aos 20 anos, mas ao mesmo tempo, quando olho para trás, penso, passou inesperadamente rápido demais. Chego à conclusão que a vida de uma pessoa é um piscar de olhos, e isso me atormenta.

Ainda tenho muita coisa para viver e sonhos para realizar. E agora, com a maturidade, me sinto realmente produtiva, muito mais capaz, e me parece estranho que a juventude física passe assim tão rápido, porque é justamente nessa fase da vida que nos sentimos imortais e imbatíveis.

Quando somos jovens achamos que a juventude, se não eterna, demorará uma eternidade para passar, ou que nunca acabará, mas ela passa e é curta, muito curta. O susto é implacável e que susto levamos!

E para agravar ainda mais a situação de sentir que já viveu quase metade da vida, fomos ensinados a acreditar que só os jovens podem sonhar e realizar seus sonhos. Talvez tenham me feito acreditar que com quarenta e dois anos, eu já devesse ter conquistado tudo?

Mas, se é justamente com a maturidade que aprendemos a nos conhecer e a entender o que queremos e o que nos faz felizes. Fico confusa, me sinto solitária com tantos pensamentos em turbilhão na minha cabeça, você também? Vivo uma fase de acreditar no começo, ou pelo menos em um recomeço. Tenho tanta animação, força de vontade e disciplina...

Tanta coisa a fazer, a conquistar. E me sinto capaz. Então, mãos à obra, Dona Érika. Basta acreditar, mesmo. Não me venha com medos, nem inseguranças, você já aprendeu que na vida as coisas são como nas palavras que talvez você já tenha escutado: “você é responsável por aquilo que cativa” e sofre as consequências de conquistar aquilo que quer, portanto, cuidado com o que deseja.

A maturidade trouxe isso de bom, maior responsabilidade e consciência, até dos meus desejos. E na relação com o próprio corpo?

Me parece igual. Aos quarenta e dois anos, já tivemos tempo suficiente de aprender o que nos faz bem, o que nos dá prazer, o que queremos e o que não queremos. O que não queremos é MUITO mais importante nessa fase. Não aceitamos mais algo que nos faz mal em troca de algumas migalhas afetivas.

A vida se torna muito mais prazerosa assim. Ter a consciência de que o esforço vale a pena para ter aquilo que se quer, mas que o sacrifício sem um benefício também já não faz mais sentido. Talvez não estejamos resistentes às decepções. Decepção com o próprio corpo, que é matéria e toda matéria está sujeita a corrompimento, não aquela que vemos estampada nos jornais todos os dias, e também nos decepciona, mas a corrupção da matéria, o findar da juventude.

Ah, é preciso cuidar ainda mais da saúde! Nesse aspecto, me sinto feliz. Lembra do sacrifício que traz benefício? Quando jovem, eu não fazia atividade física, não me alimentava de forma correta, não temia as noites em claro, aliás, adorava noites em claro.

Hoje, o cuidar de mim faz eu me sentir mais jovem e então aceito o elogio de que pareço ter dez, quinze anos a menos, porque essa é sim a minha idade interna e ao sair de uma corrida eufórica, ao negar um doce gorduroso e cheio de açúcar, eu me sinto feliz! E se a vida é uma passagem, que possamos passar bem e saudáveis, com o mínimo de dores possíveis.

Sempre temos diálogos de reciprocidade, meu marido e eu. Estamos em uma fase, como tantas outras, desafiadora, com filha pré-adolescente e muitas mudanças pessoais e profissionais.

Eu digo:
– Amor, de repente, em meio aos meus rompantes da minha maior qualidade, o bom humor: VOCÊ ME AMA?
Ele responde:
– Seco e com a frieza de um bom virginiano. Amo!
Eu digo:
Então, vamos ser felizes juntos?
– Vamos.
– Casa comigo? Pergunta que tenho feito sempre, mesmo depois de 18 anos juntos.
– Sim, eu caso.
Depois de dezoito anos de relacionamento, ter este tipo de diálogo é no mínimo peculiar, e alimenta os relacionamentos de duas pessoas tão diferentes.

O que nos une são as nossas diferenças, o que nos mantém juntos são as nossas afinidades. Que a juventude possa estar sempre dentro de nós, porque o fim é inevitável. Que tornemos a caminhada ao lado de todos que nos cercam, prazerosa porque somente assim vale a pena. A juventude é o meu melhor presente de quarenta e dois anos. Um brinde a essa data tão importante para mim, onde me sinto capaz de ser tudo que eu sempre sonhei pra mim.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.














 

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