12/02/2020 às 08h05min - Atualizada em 12/02/2020 às 08h05min

O Sentimento e o Verdão

ADRIANO SANTOS

Inicio expressando meus agradecimentos ao convite em compor umas das colunas do nobre jornal Diário de Uberlândia, e não poderia deixar de falar logo no primeiro encontro sobre o nosso Verdão. Estive no Estádio João Havelange no domingo (02/02). A chuva não foi empecilho para o sucesso dos apaixonados, vi algumas crianças, um time disposto a correr, erros e acertos. Vi a tentativa de marketing e ações publicitárias, grupos separados nas arquibancadas, candidatos e a velha política interna de uma eleição que está logo ali.

Pude perceber algo inevitável, o sentimento pelo time de coração das pessoas que estavam ali. Todos acham um absurdo que o Uberlândia Esporte não esteja no mínimo na série B do Brasileirão. Estava ao meu lado o nobre DIDI, Ednaldo Gonçalves (Doutor pela Universidade Federal de São Carlos) conhecido por sua nobreza e história no esporte, o sentimento dele é o mesmo. Algumas perguntas não encaixam na minha cabeça. Em 2019, o Uberlândia Esporte ficou em terceiro lugar no Sub-20 do Campeonato Mineiro, e apenas três jogadores estão na equipe profissional, os demais foram emprestados.

O Uberlândia Esporte contratou quatro jogadores após o início da competição, inclusive os quatro são titulares. O Uberlândia Esporte fez seis jogos preparatórios, o Felipe Surian chegou no dia vinte e cinco de novembro, foi demitido com três jogos, o time teve média de quarenta e cinco dias de treino. Surian teve sua atualização de licença na CBF por uma semana, lembrando que no dia vinte e cinco de novembro foram incorporados na equipe 16 atletas Sub-20. Com esses dados, é notório que algo não está bom, isso é o que chamamos de planejamento esportivo.

Respeito as pessoas que por esforço se posicionam em prol do Uberlândia Esporte, mas isso não ganha títulos, não gera receita, não trás orgulho à cidade. O time é regular, porém é notório que, pela dimensão que somos, a dimensão que a cidade tem e a tradição que portamos, que estamos bem atrás, bem aquém da realidade do futebol.

As folgas nas segundas-feiras me incomodam, as ausências dos jogadores das categorias de base também, as incertezas de metas e ações a curto, médio e longo prazo, ausência das crianças, das escolas públicas no estádio, a incapacidade de gerir planos sustentáveis, reprodutíveis para que o nosso sentimento não seja apenas de indignação.

O que falta ao Uberlândia Esporte não é dinheiro, não é torcida, não é estrutura, e sim ações de identificação de necessidades, de implantação básica de processos do Sub-11 ao profissional. O que falta é diagnóstico do departamento de futebol para que não chegue quatro titulares ao decorrer da competição.

O futebol é um produto, que envolve muitas coisas além de fuga do rebaixamento e contratações de jogadores. Enquanto os amadores se matam por anos à frente do clube, ou a espera de um empresário para fazer dinheiro, fica a grande dúvida: onde está a consolidação do plano de modernização de um time que representa mais de 500 mil pessoas e que tem a estrutura que alguns times da série A, B e série C não têm?

A histeria das redes sociais será longa, não tem salvador da pátria enquanto o futebol não for levado da forma que precisa ser. Não é sobre seriedade ou honestidade, estamos falando sobre a profissionalização de um sentimento que para nós, torcedores, é muito maior que os meses de janeiro e fevereiro sonhando com a prolongação de um calendário.  O sentimento não pode parar.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.











 

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