26/01/2020 às 08h35min - Atualizada em 26/01/2020 às 08h35min

Por que ler os clássicos?

JOÃO BOSCO
Ítalo Calvino responde: “ora, porque ler os clássicos é melhor do que não lê-los”.  Faz anos que ele me chamou a atenção sobre esse, digamos, axioma. Todavia, eu sempre tive uma antipatia gratuita por Eça de Queiroz.  Ah! Lá vem o Eça, aquele portuguesinho aldeão contar histórias de provinciano — esse era meu preconceito. Quanta ignorância! Sem nada para ler, criei coragem e abri “A cidade e as Serras”. Comecei a ler como se começa a comer feijão com angu: experimenta! “Tô de queixo caído”.

Busquei a biografia dele. Deparei-me com um diplomata de carreira e, assim, pude compreender como ele descreveu com apuro os modus parisienses. Mas, em resumo, o livro trata do conflito — no século XIX —de um homem diante da civilização: uma requintada Paris e a naturalidade: uma Tormes, pacata aldeia portuguesa. E, óbvio, com um bom tempero filosófico. Não importa onde: “a todo viver corresponde um sofrer”. Leia-o! Se você tem um dedinho sequer na terrinha portuguesa, com certeza compreenderás melhor alguns costumes familiares nossos.
 


*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.







 
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