10/01/2020 às 08h25min - Atualizada em 10/01/2020 às 08h25min

2019 foi o ano das startups. Ou 2020 que será?

MARIANA SEGALA

O ano de 2020 começou agitado na cena de startups no Brasil. No segundo dia do ano, a notícia de que o país tem mais um unicórnio capturou as atenções. A Loft – que compra apartamentos usados, faz reformas e os revende por valores até 45% acima do preço original – foi avaliada em US$ 1 bilhão após receber um investimento de US$ 175 milhões de fundos internacionais. Quatro dias depois, o Nubank – fintech conhecida pelos cartões de crédito roxinhos e pelo hábito de enviar aos clientes cartas escritas à mão – divulgou a primeira aquisição da sua história. Comprou a consultoria Plataformatec num movimento de “acqui-hiring” ainda raro no Brasil: o objetivo da operação, mais do que conquistar mercado, foi incorporar os funcionários da empresa comprada aos seus próprios quadros. Mais uma prova inequívoca do aquecimento do setor de tecnologia por essas bandas.

As primeiras movimentações do ano se seguem a um 2019 intenso – em todos os sentidos – para essas empresas de base tecnológica e alto potencial de crescimento, como são definidas as startups. Só o conglomerado japonês Softbank, em uma aposta clara no continente, fez 19 investimentos na América Latina, somando cifras estimadas em até R$ 10 bilhões. Foi também um ano de provações para startups sediadas em mercados mais maduros. A abertura de capital frustrada do WeWork (de escritórios compartilhados), os sucessivos prejuízos do Uber (aplicativo de transporte) ou as dúvidas quanto à sustentabilidade do modelo do Airbnb (de hospedagem compartilhada) são alguns exemplos dos desafios impostos pelo crescimento e sucesso quando se fala de modelos de negócio inéditos. Isso ajuda a entender porque, nas últimas semanas, multiplicaram os artigos e discussões sobre as “zebras” – empresas que não crescem tanto nem tão rápido, mas que são mais críveis do que figuras mitológicas como os unicórnios (startups com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão).

Localmente, 2019 foi cheio também. Foi um ano em que novos programas, iniciativas e empresas surgiram no ecossistema de inovação de Uberlândia. Houve investimentos, fusões e aquisições – o caso mais emblemático foi o da Zup, consultoria de tecnologia vendida por quase R$ 600 milhões para o banco Itaú. Ao mesmo tempo, esforços de consolidação e engajamento dos membros do Uberhub lhe garantiram o reconhecimento entre as três melhores comunidades de startups do país. Nas últimas semanas de dezembro, um mapeamento divulgado pela Associação Brasileira de Startups (ABStartups) dá a dimensão do movimento que acontece na cidade. Ainda que se possa questionar a frequência de atualização da base de dados da entidade, o que se depreende dos números é:

- Uberlândia encerrou o ano contabilizando 104 startups ativas. A maior parte delas se encontra em operação (em busca de clientes no mercado, já com um produto ou serviço que pode ser adquirido) ou em tração (fase em que se busca crescer conquistando escala nos negócios). 39% das startups avaliadas se encontram em cada uma dessas duas etapas de maturidade. Há 13% ainda em ideação (começando a tirar uma ideia do papel) e 9% que já se tornaram scale-ups (crescendo 20% ao ano por pelo menos três anos consecutivos, seja em receita ou em número de colaboradores);

- Quase 90% das startups são pequenas – bem pequenas. Elas têm, no máximo, 10 funcionários. Apenas 8% possuem entre 11 e 50 funcionários, e 3% têm mais do que isso. Natural em um segmento em que predominam negócios jovens e com modelos baseados em valores pequenos para os clientes;

- Mais de 40 grupos de conhecimento foram identificados, cerca de 20 grandes empresas que se relacionam regularmente com startups, oito estruturas voltadas ao financiamento de startups, além de programas que englobam desde a agilização do processo de abertura de um CNPJ e até a inserção do conceito de inovação em pequenos negócios não originalmente ligados à tecnologia.
O saldo de 2019 foi, sem dúvida, proveitoso. Que 2020 surpreenda. Feliz novo ano a todos.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.







 

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