01/01/2020 às 09h23min - Atualizada em 01/01/2020 às 09h23min

Foco na meta em 2020

FERNANDO CUNHA
A última vez que troquei de carro há alguns anos eu não imaginava que veria tantos veículos iguais pelas ruas. Por todos os lados, lá está um deles, igualzinho ao meu. Não vou revelar a marca e o modelo, pois não estou a fim de fazer propaganda gratuita e, claro, o editor do jornal iria desaprovar. Claro que se trata de um modelo popular, o que aumenta a probabilidade de suas aparições. Mas, não levou muito tempo para eu descobrir que, na realidade, não é a quantidade de automóveis iguais ao meu que aumentou. Eu é que passei a prestar mais atenção aos veículos da mesma marca e modelo que o meu. O mesmo acontece com mulheres grávidas. Elas logo percebem a presença de outras gestantes. Atletas observam o porte físico dos outros. Dentistas reparam no sorriso. Cabeleireiros olham o cabelo. E por aí vai!

Quem nunca usou uma roupa azul e percebeu que, naquele dia, muita gente estava de azul? Quando passamos em frente a uma loja de calçados, para onde os vendedores nos olham? Dias atrás eu estava com um amigo num barzinho. No momento em que passou um carrão importado, quase todos os homens fitaram no automóvel, enquanto que a maioria das mulheres mirou no condutor. Não estou dizendo que elas são interesseiras e nem pretendo levar a conversa para esse lado. O fato é que eles são mais apaixonados por carros do que elas. Da mesma forma, quando passa uma mulher bonita, os homens olham para ela enquanto as mulheres reparam o vestido, os sapatos, a maquiagem e outros detalhes. Nossos olhares buscam tudo aquilo que nos agrada e nos interessa. Não é questão de escolha. É natural.

Isso acontece por que o nosso cérebro possui uma ferramenta poderosa chamada Sistema Ativador Reticular. O S.A.R. permite que sejam processadas através de nossos pensamentos apenas as informações consideradas por nós como as mais importantes. Na maioria do tempo o usamos de maneira inconsciente, mas, se soubermos utilizá-lo de forma estratégica, esse instrumento de comunicação intrapessoal pode nos ajudar a realizar grandes feitos e conquistar resultados extremamente expressivos, seja na vida pessoal ou profissional. E, como todo começo de ano é um bom momento para estabelecer metas, sugiro que usemos o nosso S.A.R. para isso. Mas, de nada adiantará ativarmos conscientemente o S.A.R. e não empreendermos ações práticas para alcança-lo.

Primeiramente, devemos listar numa folha de papel quais são as metas que desejamos alcançar durante o ano. O ato de coloca-las no papel já é o começo da sua materialização. Se for um automóvel novo, temos de especificar o modelo, a cor e outras características do veículo desejado. Se for uma casa nova, precisamos determinar o bairro, o tamanho e o valor deste imóvel. Quanto mais detalhadas forem as informações, melhor será a aplicação prática do S.A.R. A etapa seguinte é direcionar o foco no objeto desejado. De alguns meses para cá, estou namorando um veículo que pretendo adquirir no futuro. Sempre que ele passa, olho para ele, dou um suspiro e fico imaginando ele sendo meu um dia. Inclusive, já fui numa concessionária para fazer um teste drive, sem compromisso, só para tornar esse objetivo mais real e palpável.

Um cirurgião estadunidense chamado Maxwell Maltz desenvolveu uma ciência chamada psicocibernética. É a prática de mentalizar a meta antes de alcança-la. Se desejamos algo, afixamos a imagem desse objeto em vários locais, como na tela do computador ou na porta da geladeira, entre outros. Na medida em que vamos nos acostumando com a figura, temos a sensação de que já pertencemos aquele objeto. Para criarmos em nós a sensação de abundância e prosperidade, por exemplo, basta colocarmos notas de R$ 100 em vários cantos da casa. Talvez você esteja se perguntando: “e se eu não tiver tantas notas de R$ 100”? Não precisam ser verdadeiras. Pode ser só uma ilustração delas impressa em folhas de papel. Pode parecer loucura, mas dá certo!

Funciona, inclusive, no esporte. Se a meta é nadar vinte voltas, mentalizamos o número 20 junto com a contagem: 1/20; 2/20; 3/20; 4/20 e assim sucessivamente. Os melhores jogadores de futebol não correm atrás da bola o tempo todo. Eles lançam o passe e já se posicionam aonde a bola vai estar. Os melhores atletas já se vislumbram no pódio. E nós, onde pretendemos chegar ao final de 2020? Como disse o gato à Alice, no momento em que ela se viu perdida na encruzilhada do País das Maravilhas: “para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”. Boas metas e feliz ano novo!     


*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.












 
 
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