29/12/2019 às 09h30min - Atualizada em 29/12/2019 às 09h30min

O catador de latinhas

JOÃO BOSCO
Domingo à tarde fui à Feira da Gente na praça Sérgio Pacheco. Passei pelas barracas, cumprimentei conhecidos, comprei uma latinha de cerveja, sentei-me no banco e fiquei a assistir ao show do dia. A minha latinha estava pela metade quando alguém me pergunta: “Tá vazia?” Eu disse não. Ele: “Posso esperar?” Eu: “Sim, mas vai demorar.” Esse cidadão, alto, magro, boa aparência, sentou-se ao meu lado. Puxou conversa. Não estava afim de dar papo. Insistiu, até que cedi. Fazia rodeios, parecia até que queria me dar um recado: “Então, vou te contar, sou operador qualificado de colheitadeira. Trabalhei em multinacional, mas agora me aposentei. Entrei nessa de catar latinhas por conta da minha mulher, que começou primeiro. Venho pra cá, me distraio e ainda consigo livrar a carne da segunda-feira. Com essa reforma da previdência do Paulo Guedes, eu acho que vou ter que catar até vidros.” Finalizou com uma bela risada. Trocamos alguns pontos de vista sobre a política. Ficou feliz pela prosa e eu também. Só espero não ter que um dia catar latinhas, mas se tiver?!

*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.








 
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