20/12/2019 às 14h19min - Atualizada em 20/12/2019 às 14h19min

Papai Noel

CELSO MACHADO
Não tenho vergonha de confessar: fui daqueles que acreditavam em Papai Noel. E olha que até por volta dos 6 anos de idade.

Nessa época, início dos anos 50, nem televisão havia. Por isso as informações vinham por intermédio dos professores, pais, e a infância conseguia preservar sua áurea de inocência e encanto.

Religiosamente, na véspera, colocava meus pedidos na modesta árvore que era montada em nossa casa e no dia de natal acordava mais cedo para conferir se havia sido atendido. Imediatamente, começava a me divertir com eles. Lógico que nessa época presente de natal tinha que ser brinquedo.

Como minha mãe era a interlocutora junto ao Papai Noel, ele nunca me frustrava.

Confesso que só ficava um pouquinho decepcionado quando algumas crianças vizinhas de famílias mais afortunadas desfilavam com brinquedos mais caros e sofisticados. Essa inveja durava pouco: naquela época não havia prédios, condomínios fechados, bairros planejados, separação geográfica entre rico e pobre. As crianças, independente da classe econômica brincavam e conviviam harmoniosamente. Abro uns parênteses para comentar a falta que faz nos tempos atuais a criança rica conviver com outra pobre para contribuir na humanização de sua conduta e caráter.

Depois disso, todo Natal da nossa família é celebrado junto à outra muito especial que há mais de 50 anos nos acolhe com o maior carinho, atenção e cuidado.

Como o tempo passa e em alguns aspectos, a gente volta a ser criança, me peguei acreditando de novo em Papai-Noel.

Pode parecer absurdo, mas é verdade. Só que não nesse Papai-Noel vulgar de trenó, macacão vermelho com um saco nas costas que a mídia promove apenas com o intuito mercadológico.

Que gera desejos que obriga famílias menos abastadas a fazerem sacrifícios para comprar produtos que caem em desuso tão rápido quanto a duração de um sucesso musical sertanejo.

Que desperta a inveja e promove comparações.

Acredito sim nesse Papai Noel que é capaz de atender sonhos, promover harmonia, fazer diferença na vida das pessoas com quem convive. Na sociedade em que vive. Solidário, humano, caridoso e gentil. Inclusive fazer isso com muito mais frequência do que uma vez por ano.

O Papai Noel que existe dentro de todos que gostam e amam gente de verdade.

Que valoriza e promove o bem.

Esse Papai Noel que nos faz no Natal sermos menos maldosos, menos críticos, menos cobradores e muito mais solidários. De abraçar e cumprimentar parentes, amigos, colegas. Pensar e refletir em como estamos e o que é importante em nossas vidas.

Que nos faz, nem que seja por momentos, voltar a sermos melhores como pessoas.

Tomara que a gente continue acreditando nesse Papai-Noel por toda a vida...


*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.










 
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