17/12/2019 às 13h03min - Atualizada em 17/12/2019 às 13h03min

Um desconhecido ilustre

ANTÔNIO PEREIRA
Era antes de 1850. Faz tempo. Um casalzinho maluco, ele com 17, ela com 14 anos, saiu lá de Patafufo (hoje, Pará de Minas). Os trens, talvez, num carro de bois, eles a cavalo, andaram uns dois meses por um sertão desabitado, e chegaram a Uberabinha, lá do outro lado do Praia Clube. Devagarinho os dois formaram uma das famílias tracionais do lugar: os Moreira. Antônio e Maria Angélica tiveram nove filhos, semialfabetizados porque não havia escolas. Espalharam-se por aí. Só ficou o Oscar Gomes Moreira que se casou com Adelina e tiveram cinco filhos. Todos nascidos no Sobradinho. O médico dr. Oscar Moreira, filho do Oscar e da Adelina, foi o segundo deputado estadual de  Uberlândia, eleito em 1954. O primeiro foi Rondon Pacheco. Em 1964, fundou, com seu filho, o Cajubá Country Club.

Albertino Gomes Moreira era filho de Antônio Gomes Moreira Jr. e neto do pioneiro Antônio Gomes Moreira. Tinha 18 anos quando rebentou a Guerra de 1914. Juntou-se a dois companheiros e enfrentaram uma aventura na capital paulista. Um, desistiu e voltou. Ele empregou-se no comércio e ficou. Resolveu fazer Direito. Sem recursos, enfrentou uma pedreira. Venceu e formou-se. Era 1919. Mudou-se para Santos. Fundou um jornal, “Tribuna de Santos”. Já tinha alguma experiência jornalística; fundara em Uberabinha, em 1914, com o Bimbo Mascia, o jornal “O Martelo” cujo nome já indica uma folha crítica e humorística.

Fez o nome como advogado e aproveitou-se disso para entrar na política. Foi Vereador, presidente da Câmara e prefeito de Santos, até 1930. Foi contista, jornalista, romancista, ensaísta. Seu primeiro romance, noticiado pelo jornal “A Tribuna”, do Agenor Paes, foi “Voo Nupcial”. Publicou, ainda, “Terra de Ninguém”, “Uma Constituição para o Brasil” e “Gente Serra Acima”.

Jurisconsulto, publicou trabalhos importantes, comentados por outros juristas em grandes jornais de capitais.

Era muito ligado ao governador de São Paulo, Júlio Prestes, eleito presidente do Brasil, mas impedido de tomar posse pelo golpe getulista, Albertino, segundo um seu familiar, era muito cotado para fazer parte do Ministério do presidente eleito, se tomasse posse.
O jornalista Lycídio Paes, comentando um encontro casual que teve com o Albertino na Livraria Chaves, em 1969, afirmou que noventa por cento dos uberlandenses daquela época não deveriam conhecê-lo, apesar do seu prestígio jurídico e político. Hoje, afora seus familiares que permanecem na cidade, ninguém o conhece. O mesmo Lycídio disse ainda que o Albertino, apesar de desconhecido por aqui, era o mais notável uberlandense intelectualmente falando.
 
Fontes: jornais da época, familiares de Albertino, Lycídio Paes.


*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.







 
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