22/11/2019 às 09h09min - Atualizada em 22/11/2019 às 09h09min

Insights sobre trabalho em tecnologia

MARIANA SEGALA

Permitam-me uma comemoração. Esta coluna completa hoje um ano de existência, período em que tive a oportunidade de conhecer tanto a dinâmica de funcionamento quanto alguns dos principais atores do ecossistema de inovação de Uberlândia. Nesta data especial, peço licença para voltar a um dos meus assuntos favoritos: trabalho em tecnologia. Inaugurei este espaço, em novembro de 2018, com uma breve análise sobre contratações e demissões no setor aqui na cidade. Revisitando as informações e atualizando os dados, cheguei a algumas novas conclusões. Vejam só:

- O número de contratações de profissionais de tecnologia continuou crescendo. É possível inferir isso a partir dos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que registra todas as admissões e dispensas de trabalhadores com carteira assinada no Brasil. Em 2018, um total de 1.735 pessoas foram contratadas para trabalhar nas 15 funções mais demandadas na área de tecnologia da informação e comunicação, listadas pela Brasscom (associação nacional do setor).

- O volume médio anual de contratações, que girava em torno de 1.000 há cinco anos, alcançou o patamar próximo de 1.500 e não desceu mais. Em 2019, entre janeiro e setembro (últimos dados disponíveis), chegou a 1.466.

- Para identificar se a representatividade do setor está aumentando, não basta olhar, é claro, quantas pessoas são contratadas para trabalhar com tecnologia, mas também quantas são demitidas. Idealmente, haverá muitas contratações e poucas demissões – se o número de dispensas também for elevado, pode indicar que apenas tem havido uma “dança de cadeiras”, e não um avanço efetivo do emprego na área. Em 2018, por exemplo, o número de demissões foi de 1.459, resultando em um saldo de 276 admissões líquidas (descontadas as dispensas). Esse saldo tem sido positivo ano após ano, mas também cresceu bastante recentemente. Em 2013, por exemplo, tinha sido de apenas 40 admissões.

- Neste ano, o saldo de contratações em tecnologia, até setembro, está em 293 vagas, bem próximo do registrado nos últimos anos. Bom sinal, uma vez mais.

- Historicamente, a função com maior saldo de contratações em Uberlândia era a de analista de sistemas. Neste ano, ao que tudo indica, os programadores podem sobressair. Entre janeiro e setembro, as admissões líquidas de programadores somaram 109, contra 102 de analistas de sistemas. A título de comparação, em 2018 os saldos foram, respectivamente, de 70 e 160. O que isso quer dizer sobre o perfil do trabalho em tecnologia na cidade? Peço aos especialistas da área que me ajudem a responder essa pergunta. Prometo explorar o assunto em detalhes numa próxima ocasião.

- Também chama atenção o crescimento do saldo de contratações de gerentes de projetos de tecnologia da informação – que foi de apenas 4 no ano passado e chega a 44 neste ano, até setembro. (Não sou capaz de disfarçar a satisfação de ter iniciado, há poucos meses, um MBA em Gerenciamento de Projetos. Bingo.)

Em resumo, o setor de tecnologia avança em relevância em Uberlândia, ao menos do ponto de vista do emprego formal. Essa análise, obviamente, desconsidera o enorme contingente de profissionais contratados em esquemas alternativos de trabalho, o que tem sido cada vez mais comum. Mas oferece alguns elementos para estudar.
 
Medalha de ouro
Os irmãos Guilherme e Carlos Cabral de Menezes Filho, de Uberlândia, conquistaram medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Informática, promovida pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC). Eles são parte de uma família que parece ter incorporado a tecnologia ao próprio DNA. Tudo começou pela irmã mais velha, que decidiu cursar Ciências da Computação. O pai veio na sequência, ao entrar para a faculdade de Sistemas de Informação. Foi assim que os dois garotos – um no Ensino Médio e o outro, no Fundamental – acabaram se envolvendo com a programação, e dela não saíram mais. Ambos são alunos do Uberhub Code Club, projeto patrocinado por empresas de tecnologia da cidade que procura apresentar o universo da computação aos jovens – e gratuitamente. Voem, meninos.
 
Última chamada
Membros do ecossistema de inovação têm feito um apelo aos donos de startups de Uberlândia: para que atualizem os dados das suas empresas no StartupBase, base de dados mantida pela Associação Brasileira de Startups (ABStartups). É importante para que as informações – usadas em levantamentos dos mais diversos tipos e pelas mais variadas instituições – reflitam a realidade do Uberhub. Basta acessar www.startupbase.com.br.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.






 

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