21/11/2019 às 08h11min - Atualizada em 21/11/2019 às 08h11min

O brasileiro não gosta de futebol!

TIAGO BESSA

O título do texto de hoje certamente causará a indignação do leitor raso – aquele que não passa do título. Mas tenho meus motivos para estar seriamente desconfiado de que o brasileiro não gosta do futebol de verdade, aquele que ultrapassa os limites do clubismo e do sectarismo.

Falarei, em primeiro lugar, para aqueles que gostam de números para legitimar seus argumentos. O Flamengo é o líder do Brasileirão com 13 pontos à frente do segundo colocado; tem o melhor ataque do campeonato, com 18 gols a mais do que o segundo melhor ataque; é o time com o menor número de empates e está empatado com outro clube em número de derrotas; tem o melhor saldo de gols do campeonato, com 16 gols a mais do que o segundo colocado neste quesito; tem quase 80% de aproveitamento dos pontos já disputados. Enfim: é o campeão brasileiro de 2019, na prática.

Mas os números, com os quais nem tenho tanta afinidade, não dizem tudo sobre o rubro-negro. O futebol jogado pelo time demonstra muito mais (mas muito, mesmo) do que as estatísticas. Trata-se de uma dinâmica e de um esquema de jogo que não deixam seus adversários sequer saírem jogando de seus campos de defesa. É intenso, é veloz, é orquestrado e, acima de tudo, é bonito. É lindo, aliás.

Lembro-me das piadas “de português” que boa parte da imprensa esportiva brasileira contou quando o Jorge Jesus desembarcou por aqui. Alguns tentaram rebuscar seus ranços utilizando o pequeno histórico de títulos do técnico português, colocando em dúvida suas qualidades como treinador. O fato é que o nosso futebol precisava, há tempos, de uma mudança radical que o tirasse desse futebol chato, democrático, pobre e covarde que temos jogado desde a década passada.

O Jesus chegou dando liberdade aos seus atletas, para que eles mostrassem seu potencial e sua individualidade. Chegou nos fazendo questionar nossa cultura de obediência irrestrita a sirenes, olhares e ordens ultrapassadas, que nossa educação estritamente mercadológica e claramente anti-humanista ainda propaga. Chegou deixando claro que não podemos mais ser adestrados, em vez de educados. E só há educação onde a regra é a liberdade – de pensamento, de movimento, de construção plena do indivíduo.

Enquanto ele revoluciona e nos devolve nosso futebol, grande parte dos torcedores dos outros clubes prefere desqualificar seu trabalho, por pura rivalidade. Dizem amar seus clubes do coração, mas odeiam o futebol!

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.







 

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