19/10/2019 às 08h00min - Atualizada em 19/10/2019 às 08h00min

Um belo apelido

JOÃO BOSCO

Descia a Getúlio Vargas com destino ao Centro, conectado ao volante e absorto com a vista privilegiada da cidade. E eis que um pássaro vermelho-acinzentado corta a avenida num voo rasante e veloz, para em seguida arremeter-se e mergulhar furtivamente na copa de uma frondosa árvore. Identifiquei de chofre: é uma alma-de-gato! E quando é que gato tem alma? Fui atrás do Sr. Google! A resposta me satisfez em parte. Disse-me que é porque canto dela imita o gemido de gato. E quanto a alma?  Encontrei definições zoológicas e nomes indígenas para tal, mas a alma ficou no ar a vagar. Sim! Criança imaginava um gato que morreu e foi para o céu e depois retornou à terra na forma desse belo pássaro, uma explicação — naturalmente pueril — como tantas dada as questões sobrenaturais. Hoje, a observar que muitas pessoas conversam com seus animais de estimação e ainda não vi sequer um cãozinho interatuar do mesmo modo, concluo com maior razoabilidade que alma-de-gato não passa de um belo apelido da piaya cayana.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.




 

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