12/10/2019 às 08h00min - Atualizada em 12/10/2019 às 08h00min

Empresa familiar: magnitude econômica e social

ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA

Os temas “empresa familiar” e “desenvolvimento econômico” andam lado a lado na história da economia global. Grande parte das empresas tem sua origem como um negócio de família. Estima-se que a representatividade das empresas familiares totaliza 90% das organizações do mundo todo, e, por isso, tornaram-se a base da economia de diversos países.

Uma empresa familiar é um empreendimento com características e objetivos idênticos aos demais modelos de empresa. A diferença é que a sua propriedade está vinculada a uma ou mais família, dotada de poderes de controle e gestão, com pelo menos um membro integrante na administração do negócio, seja através de orientação estratégica ou operacional.

Além da relevância desse modelo de empresa para os crescimentos econômicos regionais, especialistas ponderam que cada uma delas adota um modelo próprio de gestão, regido pelos valores da família proprietária. Enquanto negócio, o grande desafio está em administrar e manter a unidade familiar, especialmente quando chega o momento de transferência de liderança.

Direção e controle empresarial envolvem, paralelo aos aspectos metodológicos e conceituais, disponibilidade e atuação enérgica de seus responsáveis. A administração deve levar em conta os princípios que nortearam sua fundação e criação, mas se atentar às novas configurações gerenciais e de mercado, com intuito de minimizar os danos financeiros e relacionais no processo de sucessão.
As empresas familiares têm inegável posição de destaque no cenário econômico brasileiro. De acordo com uma pesquisa feita em 2016 pela consultoria McKinsey, 65% das empresas com receita anual acima de 200 milhões de dólares no Brasil são empreendimentos de família. Os números reafirmam a sua importância para a economia nacional, principalmente no que tange à geração de empregos. 

No Brasil, ainda segundo o estudo da McKinsey que analisou 57 empresas familiares de capital aberto e atuantes no país, essas companhias somam mais de 800 mil funcionários e faturam um montante de 150 bilhões de reais. Isso representa, em valores monetários, cerca de 2% de todos os bens e serviços finais produzidos no país no ano passado.

Essa estabilidade e confiança construída pelos grandes grupos familiares na história nacional é um dos fatores para que eles continuem a evoluir e ter relevância para a economia do país. Para os acionistas, por exemplo, o retorno de investimento em empresas desse tipo é três vezes maior do que os investimentos em outras organizações.

Analisando os dados de forma qualitativa, percebemos que as empresas familiares ultrapassam os aspectos econômicos. Elas garantem a subsistência de parte expressiva da população, criando perspectivas de vida – inclusos aqueles cidadãos com baixo nível de escolaridade – ao oferecer capacitação da mão de obra e, consequentemente, estimulando ações empreendedoras.

Por causa disso, acredita-se que as políticas públicas são fundamentais para a manutenção das empresas familiares. Ter consciência de que a economia dos países industrializados depende desse tipo de corporação permite a criação e melhoria das políticas públicas de empreendedorismo e do sistema de produção doméstico, sem excluir as características da sociedade capitalista que vivemos.

Pensando estrategicamente... as empresas familiares tradicionais são vulneráveis no atual ambiente econômico. A aceleração da concorrência, ocasionada pelas mudanças na economia mundial, exige recursos financeiros monumentais das empresas para os investimentos em tecnologia e ampliação de produção, a fim de continuarem competitivas a nível regional e mundial.

O maior obstáculo encontrado por esses empreendimentos é a relutância dos proprietários fundadores em dividir o poder com os novos sócios e em permitir o acesso de profissionais não-familiares aos cargos de direção. Para a longevidade dessas empresas é essencial que se tenha a abordagem, conhecimento e informação técnica, ainda que ela venha de um familiar ou não.

Por fim, precisamos de políticas públicas direcionadas às empresas do setor familiar, via incentivos de fomento ao desenvolvimento da economia junto aos órgãos estaduais e federais. Dessa forma, elas continuam a contribuir com a manutenção da economia e melhoram suas políticas internas e externas, mantendo-se estáveis e forjando emprego para o país.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.





 
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