08/10/2019 às 08h30min - Atualizada em 08/10/2019 às 08h30min

Os Quadrinhos em Uberlândia

CHICO DE ASSIS

Hoje começamos no Diário de Uberlândia uma coluna sobre Quadrinhos, e para essa primeira é interessante falar sobre os autores de nossa cidade. Tenho acompanhado essa produção a bastante tempo, e embora haja lacunas nessa apresentação acredito que seja um panorama razoável da história local dos quadrinhos e do humor gráfico. Em outros momentos pretendo falar mais profundamente sobre um autor, título ou período especifico.

Em 1984 foi lançada a “Kakunda”, com quadrinhos de Fábio Piva, Maurício Ricardo, Zeca Ligeiro, Weber Abrahão e Valtênio Spindola que infelizmente nos deixou no dia dois de junho deste ano. Para o lançamento segundo relatos foi tomado emprestado de uma funerária um caixão onde foram colocados todos os exemplares da revista. Bem ao espírito dos anos 80, um cortejo subiu a Afonso Pena acompanhado da Banda Municipal que tocava alternadamente a marcha fúnebre e um frevo. O material apresentado tinha boa qualidade artísticas e uma temática muito interessante, desde guerra nuclear até a relação entre religião e sexualidade. A “Kakunda”, entretanto, não passou do primeiro número, o acesso a impressão e a distribuição nesse momento ainda eram complicados.

Maurício Ricardo e Valtênio, que já publicavam em jornal local desde o início dos anos 80 continuaram seus trabalhos como cartunistas publicando charges e também tirinhas, onde apareceram personagens que marcaram o público com maior destaque talvez a dupla Uru e Bu, e a Serpente Mágica. Ambos, mais tarde já a partir de meados dos anos 90, em algum momento foram editores e responsáveis por abrir espaço para um número expressivo de cartunistas e quadrinistas locais, José Neto, Roberval Coelho, Adriana Porfirio, Moisés D’Jesus, Fredd, Nino Vilela, Luciano Ferreira, Fernando Duarte entre muitos outros. Alguns ainda trabalhando com as linguagens dos quadrinhos, ilustração e animação.

Em 1998 capitaneada por André Guillaume, si a revista “Nektar”, com trabalhos de Rodrigo Lara, Alexandre Grecco, Rosemário H. S., José Neto, Rogério Rocha, Roberval Coelho, entre outros artistas locais e alguns convidados de fora. Com boa qualidade artística, impressão, formato, diagramação muito bem cuidados e uma estratégia de divulgação bem ousada para aquele momento a “Nektar” chamou a atenção no meio, com boas críticas em jornais de circulação nacional, como o “Estado de Minas”, de Belo Horizonte e “Folha de S. Paulo”. Depois de três tentativas de distribuição a revista infelizmente encerrou suas atividades.

 

Entre o final dos anos 90 e meados dos anos 2000 foram publicados fanzines de quadrinhos com o “Rabo de Galo” números 1 e 2, e as tiras de autores locais continuavam a sair na imprensa. Já no final da primeira década sai o “Camiño Di Rato” número 1 editada por Rosemário e Matheus Moura, com uma fantástica ilustração em aquarela para a capa. A revista chegou em 2015 ao número 8, com trabalhos de autores locais e de outras regiões. Entre 2009 e 20015 é são publicados também sete números da revista “O Q de Quadrinhos” de Jimmy Russ, com trabalhos de diversos autores locais junto com o trabalho de seus alunos em oficinas de histórias em quadrinhos.


Atualmente temos uma produção diversa e de muito boa qualidade saindo em coletâneas com a “Basídio” números 1 e 2, ou a “Meia Cura” de Joao Agreli. As leis de incentivo à cultura e o financiamento coletivo deram um bom folego tanto a essas coletâneas quanto aos álbuns solo. Destacando o “Raiz” de Dudu Torres e “Romaria” de Alexandre Carvalho e Jun Sugiyama ambos indicados ao prêmio HQ Mix, principal prêmio do país nessa linguagem, e “Quem matou o Caixeta?”, de Rainer Petter concorrendo ao prêmio Jabuti na categoria Quadrinhos.


*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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