05/10/2019 às 15h00min - Atualizada em 05/10/2019 às 15h00min

O fantasma do jardim

JOÃO BOSCO

Tem um fantasma que, não é de hoje, me persegue. Quando aparece não escolhe hora e costuma me deixar em maus lençóis. Numa tarde quente à luz do sol estava eu a cuidar do meu jardim. Já havia podado a grama, combatido as pragas, extraído as ervas daninhas e, desligado, me dava ao prazer do acabamento. Com uma enxadinha na mão e sem pensar em nada eu dava sentido aos entornos e contornos do jardim. “Ei moço! Quanto você cobra para fazer jardinagem?” Com essa pergunta, uma senhora me trouxe de volta ao mundo. “Não cobro nada”. Ela questiona: “Como nada?”. Respondo: “sou jardineiro de mim mesmo”. E é justamente aqui que o fantasma aparece e fala por mim: “Devemos cultivar nosso jardim... O trabalho sem pensar torna a vida feliz”. De tabela, a ficha dela caiu: Ah! Bom, então o senhor é o dono? Respondi “sim” com um sorriso, e, com uma cara de desprezo por esse jardineiro especial, ela partiu. Bem! Literalmente eu cuidava do meu jardim, mas quando se tem por perto uns fantasminhas, tipo Voltaire: não dá para desprezá-los.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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