20/09/2019 às 08h32min - Atualizada em 20/09/2019 às 08h32min

Errar é mais humano do que acertar...

CELSO MACHADO

Se a prudência é algo sempre recomendável porque estabelece melhores condições para tomada de decisões temos que tomar os cuidados necessários para não confundi-la com indecisão. Porque uma coisa e avaliar sobre os ângulos mais diversos o impacto de ações que estejamos planejando, outra bem diferente é retardar nossa tomada de posição.

Toda escolha tem riscos e desafios. Tem ganhos e perdas. Tem custos e recompensas. O importante é avaliar quanto compensa a recompensa. Se o preço não traz embutido possíveis dívidas de longo prazo. Se não é muito mais caro do que o retorno que irá oferecer. Se por detrás da aparência fascinante não está uma armadilha envolvente.

Por mais angustiante que seja uma decisão não tem nada mais angustiante do que adiá-la. Porque ao decidir a angústia acaba. Cede espaço ao desdobramento da decisão tomada.

Vivemos um período de enormes e profundas turbulências sem sinais consistentes do tamanho e da duração que elas irão alcançar.
Dúvidas e perguntas novas surgem a todo instante sem que as respostas apareçam.

Ficamos ainda mais ansiosos do que já somos, nessa agitação constante que caracteriza nossas vidas. Nenhuma avaliação, por melhor que seja, nos levará a certezas absolutas. Viver sempre foi e será uma situação de risco. Sujeita tanto ao que fazemos, como fazemos, como também ao que deixamos de fazer. Ao que adiamos ou procrastinamos.

Nada mais normal do que ao buscar a segurança plena em soluções e alternativas o que acabamos encontrando são novas dúvidas.

Gosto de lembrar que no passado era fácil assistir os filmes e compreender seus enredos. O bandido era mau e o mocinho bom. Agora não, está cada vez mais difícil identificar e separar o bonzinho do malvado, porque ambos se alternam nesses papéis. A maioria das nossas decisões tem que ser tomadas quando estamos indecisos. Por isso tanto quanto o conhecimento devemos utilizar a intuição, aquilo que nosso coração aponta.

E se o resultado da nossa decisão for equivocado, reconhecer e corrigir o mais rápido possível. Errar é mais humano do que acertar porque não depende só de nós. Porque nosso gesto e nossa intenção por melhores que sejam não asseguram que vão ser positivos. Quantas vezes não prejudicamos quem desejamos ajudar?

E tem um fator ainda mais crucial: mais importante do que estar certo é o resultado alcançado ser o melhor. Tanto para nós quanto para os outros.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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