10/09/2019 às 09h35min - Atualizada em 10/09/2019 às 09h35min

A criação do Colégio Estadual

ANTONIO PEREIRA

O Gymnasio de Uberabinha, atual “museu”, enquanto instituição particular, passou por três diretorias: as dos professores Antônio Luiz da Silveira, José Avelino e José Ignácio de Souza. Na gestão deste último, o município iniciou entendimentos com o governo do Estado para a instalação de uma escola oficial. Souza já tinha tido alguma experiência administrativa nos Grupos Escolares de Mariana e Ituiutaba. Ele veio para cá, para assumir o Grupo Escolar Bueno Brandão, em 1927. Adquiriu o Gymnasio do José Avelino e passou a residir nele. Naquele tempo, os diretores moravam na Escola. A Sociedade Anônima Progresso de Uberabinha, proprietária do prédio, não alterou os aluguéis que permaneceram nos quinhentos mil réis por mês, seis contos por ano.

Nos dias 8 e 9 de outubro de 1927, o presidente do Estado, Antônio Carlos, visitou Uberabinha.  A Escola não oferecia resultados financeiros interessantes aos seus diretores, tanto que nenhum ficou. José Ignácio de Souza afastou-se em setembro de 1928, mas permaneceu à frente do estabelecimento até o fim do ano letivo. Aí, deixou o Gymnasio e fundou o Instituto Brasil Central, na confluência das ruas Barão de Camargos e General Osório e praça dr. Duarte para onde transferiu a Escola Normal que mantinha no Gymnasio.

O líder da Sociedade proprietária do prédio do Gymnasio, Carmo Giffoni, mudou-se para Belo Horizonte. Por essa época, a Sociedade tinha uma dívida de cem contos de réis e tinha como única renda o aluguel do prédio por seis contos/ano. Na gestão de José Avelino, conseguiu-se a equiparação da Escola Normal à Escola Normal Modelo e a formação de uma Banca Examinadora que realizava as provas no próprio Gymnasio não exigindo mais as viagens às cidades com escolas equiparadas. Naquele tempo, os alunos dos cursos ginasiais e normais tinham que fazer as provas finais em escolas fora do município, que tinham sido equiparadas às escolas modelo.

Dois meses depois, o presidente do Estado, Antonio Carlos, voltava ao Triângulo com passagem por Uberabinha. O presidente visitou o ginásio onde foi inaugurado um retrato seu pintado por Joaquim Gasparino. Durante essa visita, o Cel. Carneiro se aproximou do secretário Pinheiro Chagas formando uma amizade alimentada posteriormente por farta correspondência. Carneiro pediu, numa das cartas, um ginásio oficial. Pinheiro Chagas respondeu que se interessaria pelo pedido. Uberabinha passou o acompanhamento do pedido ao senador estadual, Camilo Chaves, de Ituiutaba, que foi o autor do projeto que criou o Gymnasio oficial. Camilo Chaves defendia no Senado mineiro a criação dessa escola enquanto o coronel Carneiro, insistia no mesmo objetivo com Pinheiro Chagas.

No final de 1928, foi criado o ginásio e comprado pelo governo mineiro o seu prédio nos inícios de 1929 por 200 contos de réis. O Gymnasio de Uberabinha teria por modelo o Ginásio Mineiro de Barbacena ao qual se filiaria.

Vendido o prédio, autorizada a funcionar a escola, já em 1929, a Sociedade encerrou suas atividades. Foi primeiro diretor da escola oficial, futuro Colégio Estadual de Uberlândia, o promotor de Justiça e diretor do Lyceu de Uberlândia, dr. Mário de Magalhães Porto.
 
Fonte: William Douglas Guilherme

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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