05/09/2019 às 08h43min - Atualizada em 05/09/2019 às 08h43min

Jesus, o salvador!

TIAGO BESSA

A decadência do futebol brasileiro é assunto já abordado nesta coluna diversas vezes. Desde a venda de jovens talentos do futebol, passando pela pressa de grande parte da imprensa em denominar qualquer garoto “craque”, os motivos desse declínio são muitos e não motivam o texto de hoje. Poucas são as opções para as equipes que demitem seus treinadores em termos de elaboração de um projeto vencedor. Os mesmos treinadores vão e vêm nos comandos dos mesmos clubes causando um ciclo vicioso de passagens, com exceção de alguns poucos em começo de carreira ou provenientes de equipes menores com histórico de acessos sucessivos.

A maioria desses “medalhões” tem fama de vencedor, disciplinador, “paizão” etc... mas “já deu”. É triste chegar a esta conclusão, mas a realidade parece apontar para o desgaste deles e o esgotamento de suas armas em busca de conquistas nos denominados “grandes clubes”. Resta, então, buscar alternativas fora do Brasil. E eis que, ironicamente, aparece aquele que parece ser um salvador: o Jesus! Jorge Fernando Pinheiro de Jesus, um português de 65 anos que não só arrumou a casa do Flamengo, mas que veio ensinar um pouco de futebol aos brasileiros. Aquele papo de “ensinar o padre a rezar o pai nosso” não parece mais um dito popular de sarcasmo. Jesus veio ensinar o que nós, brasileiros, julgávamos saber em demasia.

Em sua última lição, Jesus ensinou ao Felipão que não se deve entrar em campo com três volantes e sem um meia de ofício, além de mostrar que é possível retomarmos nosso futebol vencedor jogando ofensivamente e, principalmente, resgatando a beleza de outrora do nosso futebol! É contagiante ver o modo como este senhor se comporta à beira do gramado, motivando seus jogadores o tempo todo, sempre tão animado e comunicativo. Seu estilo de jogo, geralmente com cinco jogadores ocupando o meio e o ataque, unido ao hábito de blefar sobre as escalações de suas equipes desnorteiam os adversários, confundindo até mesmo boa parte da imprensa.

Tudo isso não seria tão efetivo sem a presença de bons jogadores no elenco. O Jesus tem um excelente elenco, com boas opções no banco e jogadores versáteis quando escalados em funções diferentes das usuais. Mas o Flamengo descobriu tudo isso somente com a chegada de seu salvador, e talvez esta seja a maior função de um técnico de futebol: revelar as potencialidades de seus jogadores.

Tomara que Jesus seja visto pelos treinadores ultrapassados e, assim, salve, mesmo que indiretamente, o futebol brasileiro como um todo. Oremos!

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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