27/08/2019 às 08h20min - Atualizada em 27/08/2019 às 08h20min

A morte das galinhas

ANA MARIA COELHO CARVALHO

Há tempos atrás li um texto intitulado "Minhas galinhas morreram", do médico e escritor João Gilberto. Ele estava desolado porque as galinhas de sua granja morreram intoxicadas pelo agrotóxico jogado nas proximidades da nascente do córrego onde elas bebiam água.

Daí fiquei pensando em tantos danos que causamos ao meio ambiente e em tudo que perdemos quando animais morrem por nossa causa. As galinhas, por exemplo. Podemos aprender muito com elas. Apresentam uma organização social baseada na dominância, o que se aplica a muitos outros animais (e ao homem também). Um psicólogo norueguês descobriu que existe uma ordem de bicadas entre esses galináceos: uma galinha geralmente domina todas as outras e pode bicar qualquer uma, sem receber em troco nenhuma bicada. Após essa vem outra galinha que pode bicar todas as outras, menos a acima referida, determinando uma hierarquia que termina com uma pobre galinha, que é bicada por todas e, coitada, não bica nenhuma. As galinhas nas camadas mais altas da hierarquia têm privilégios, são as primeiras a chegar na comida, nos poleiros e nos ninhos, enquanto os membros mais baixos desta organização são cruelmente empurrados. Os galos geralmente não bicam as galinhas e têm, entre eles, sua própria ordem de bicadas. Já os filhotes penugentos raramente se bicam, no máximo exibem uma posição ameaçadora ou dão um salto. Como a memória dos galináceos é curta, se as galinhas forem separadas por duas ou mais semanas, precisam repetir toda a ordem de bicadas quando se juntam novamente. Mas uma vez estabelecida a dominância, a hierarquia é frequentemente mantida apenas por sinais de status. Um simples levantar de cabeça pode significar dominância e o abaixar, submissão. Assim, o bando se torna pacífico e conserva suas energias. Como se vê, com a mortandade das galinhas, perdeu-se também a oportunidade de aprendermos com elas...

E não só galinhas estão morrendo devido a problemas ambientais, mas inúmeros outros animais também, assim como espécies estão se extinguindo. Os ursos polares, por exemplo, devido ao aquecimento global e ao degelo, podem estar extintos nos próximos vinte anos. O Ártico está derretendo, os furacões estão mais fortes, o Brasil está na rota dos ciclones, os desertos avançam, o nível do mar sobe, o efeito estufa aumenta, milhões de pessoas passam fome na África devido à seca, a temperatura em cidades europeias passa de quarenta graus. E por aí vai...

Cada um de nós tem responsabilidade nisso. Não podemos ficar de braços cruzados, cada um tem que fazer a sua parte para salvar o planeta Terra, esse gigante de equilíbrio instável. Podemos começar fazendo pequenas coisas, como: diminuir o lixo das nossas casas; plantar uma árvore; apagar as luzes; economizar água; usar menos fraldas descartáveis, sacolas plásticas, isopor, canudinhos, guardanapos; trocar o coador de papel pelo de pano; andar mais a pé ou de bicicleta; reciclar materiais, etc. É aquela velha história do beija-flor que, ao ver um incêndio na floresta, começou a carregar água no bico e a jogar no fogo. Quando outros argumentaram que isso não ia resolver nada, respondeu: -"A minha parte eu fiz."

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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