10/08/2019 às 14h00min - Atualizada em 10/08/2019 às 14h00min

Como os pais podem desenvolver o apego dos filhos?

ANGELA SENA PRIULI

Enquanto os homens do mundo todo se preparam para um ataque de presentes no estilo gravatas, ferramentas, carteiras e meias no Dia dos Pais, aqui está uma pergunta que pais de crianças pequenas podem aproveitar neste domingo e refletir sobre seus hábitos como pai: quais atividades são melhores para eu me relacionar bem com meu filho?

Uma nova pesquisa da Universidade da Geórgia revela que tanto o tipo de envolvimento (cuidado x brincadeira), quanto o tempo (dia de trabalho versus dia de folga), têm um impacto na qualidade do relacionamento entre pai e filho. Na primeira infância, a maneira mais comum de conceituar o relacionamento pai-filho é a relação de apego. As crianças formam um elo emocional com seus cuidadores, e isso serve a um propósito, mantendo-as seguras, proporcionando conforto e segurança e modelando como os relacionamentos devem funcionar.

Décadas de pesquisa se concentraram na segurança do apego mãe-filho, mas há muito menos pesquisas sobre o relacionamento pai-filho e como um relacionamento de apego seguro é formado. Nesse estudo, Brown e seus colegas trabalharam com 80 pares de pai-filho quando os filhos tinham cerca de 3 anos de idade. A equipe conduziu entrevistas e observou a interação pai-filho em casa, filmando um vídeo que foi avaliado fora do local e atribuiu uma pontuação indicando a segurança do apego.

Esse estudo, publicado no Journal of Family Psychology, revela que os pais que escolhem passar um tempo com seus filhos em dias de folga estão desenvolvendo um relacionamento mais forte com eles, e as brincadeiras parecem particularmente importantes, mesmo depois de levar em conta a qualidade da paternidade dos pais.

“Os pais que fazem a escolha de dedicar seu tempo aos dias não úteis a se relacionar diretamente com os filhos parecem estar desenvolvendo os melhores relacionamentos”, disse Brown, professor assistente da Faculdade de Família e Ciências do Consumidor. “E naqueles dias que não são de trabalho, buscar atividades que são centradas na criança, ou divertidas para a criança, parece ser o melhor preditor de um bom relacionamento pai-filho”.

Por outro lado, pais que gastam muito tempo ajudando com tarefas relacionadas a cuidados infantis em dias de trabalho também estão desenvolvendo boas relações com seus filhos. Ironicamente, os homens que se envolvem em brincadeiras com seus filhos nesses dias úteis, na verdade, têm um relacionamento de apego um pouco menos seguro com eles. Nesse ponto, a coisa mais importante em um dia de trabalho, da perspectiva de construir um bom relacionamento com seus filhos, parece estar relacionada ao cuidado deles e não em brincar.

É claro que existem diferentes contextos de tempo para a família. O estudo mostra que confiar demais em brincadeiras durante os dias de trabalho, quando o seu filho/parceiro precisa de você para ajudar com o cuidado, pode ser problemático. Mas brincar parece mais importante quando há mais tempo e menos pressão. Em última análise, os pais que se engajam em uma variedade de comportamentos parentais e ajustam suas práticas parentais para atender às circunstâncias de cada dia provavelmente têm mais chances de desenvolver relacionamentos seguros com seus filhos.

O pai precisa participar sim, mas a coisa não é bagunçada nem para as crianças, tem momento para tudo: dia de brincar e dia de ser cuidado!
 
Fontes:
Geoffrey L. Brown, Sarah C. Mangelsdorf, Aya Shigeto, Maria S. Wong. Associations between father involvement and father–child attachment security: Variations based on timing and type of involvement. Journal of Family Psychology, 2018; 32 (8): 1015.


*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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