04/08/2019 às 16h00min - Atualizada em 04/08/2019 às 16h00min

Ovo virado

JOÃO BOSCO

Calcei meu tênis de marca, indicado pelo maratonista Nilson Lima, amigo meu, e fui correr na Rondon. Estava não sei se feliz, mas em estado de graça, a ver borboletas azuis. A camiseta que usava combinava com o tênis e tinha a sua história, fora presente do amigo dele o Amorim, ultramaratonista, trazia a marca de 887 km rodada e fazia jus ao título de Green Number por correr dez vezes os 88,7 km da ultramaratona Comrades da África do sul. Na verdade eu não corria – flutuava. Ao passar por uns arbustos, fui atraído por som que me pareceu ser um gorjeio de pássaros. Olhei firme para o arbusto e nada vi. Novo arbusto e mais um insistente trim-triiim-triimtriimmm que me fez olhar para trás. Era um ciclista a apertar a campainha querendo me passar. Dei um sorriso dominical para ele. Ele, de cara amarrada. Foi duro: “isto aqui é uma ciclovia! Obediente, fui para a calçada toda irregular ariscando-me a torcer os pés. O Ciclista estava certo. Mas aposto que, neste dia, ele acordou com o ovo virado.


*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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