21/07/2019 às 09h30min - Atualizada em 21/07/2019 às 09h30min

Um certo passageiro existencial

JOÃO BOSCO
Um lugar qualquer, anos idos, manhã chuvosa, raios de rachar madeira: nasce uma criança. Que choradeira. Alheia às coisas do mundo. Basta-lhe a mamadeira. Numa cidade de morros, manhãs com cheiro de chocolate, biscoitos fritos, pátio de escola, tardes de ventos uivantes e noites de escuridão: Lá vai o menino. Brinca de pipa e peão. Cheio de vida e esperança. Faz das tripas coração. Cidade grande, prédios altos, repúblicas, estudos, trabalho e muito barro: Lá vai o jovem rapaz. Cobiça um carro. Oh! Quanto desengano. Oh! Que mundo bizarro. A vida me parece ora um rimar pobre, ora um remar duro. Lá se vai o homem maduro. Com um cachorro do lado. Que coisa monótona. Tudo não passa de um triste fado. Pode parecer melancolia, amargura, resignação, mas não tem jeito, o fim é inexorável. Lá se foi o idoso. Debulhava o terço na mão. Em busca do tempo perdido. Oh! Quanta decepção. Meu caro! Não é bem assim. Bom dia! Hoje é domingo, o dia do sol, rimas jamais o embotarão. Sorria!

*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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