11/07/2019 às 08h30min - Atualizada em 11/07/2019 às 08h30min

O que esperar agora?

TIAGO BESSA

Comentei, na última coluna, que o Brasil muito provavelmente ganharia a Copa América contra a seleção peruana, o que aconteceu por uma série de fatores: jogar em casa, contra uma seleção com baixo poder de criação, sentindo a pressão da torcida e tentando apagar as péssimas impressões das últimas competições disputadas. Isto não me torna um guru das adivinhações, mesmo porque tratou-se de um dos prognósticos mais fáceis, a respeito de uma final, que já vi.

Apesar da baixíssima qualidade do futebol apresentado pelas seleções em geral, o que tem sido uma regra mundial na última década, parte da obscuridade que assola a Seleção Brasileira foi dissipada com este título. Parece ter ficado claro que é possível organizar um time competitivo sem o Neymar que, quando joga, parece colocar (culpa do técnico? Não sei!) os outros dez jogadores em sua órbita e a seu serviço. O Tite parece mesmo ser o técnico mais competente para comandar a seleção nas próximas competições, pois tem conseguido explorar a contento as potencialidades de cada jogador à sua disposição.

Algumas seleções europeias estão sofrendo reformulações em seus elencos - o que é natural em decorrência do envelhecimento de cada geração – e isto pode servir de alento a quem sonha com uma Seleção Brasileira novamente competitiva e apta a conquistar títulos maiores. E tudo indica que esta geração de jogadores brasileiros, que também está em transição, mas, ao meu ver, mais consolidada que outras seleções, está bem encaminhada no que concerne à formação de um grupo coeso e entrosado.

Mas e quando o Neymar retornar? Estará ele disposto a integrar, literalmente, este elenco no sentido de contribuir para a continuidade dessa coesão e desse entrosamento? Ou será que ele continuará no seu delírio adolescente de fama, ostentação, egocentrismo e falta de profissionalismo? Ele sequer se reapresentou ao seu clube para declarar que não pretende lá continuar. Preferiu agir de acordo com a má-fé sartriana e, simplesmente, ignorou haver diante de si uma situação de escolha.

Se, para Sartre, cada indivíduo representa toda a humanidade na medida em que é livre e faz escolhas, o Neymar parece querer abdicar de sua própria humanidade e assumir uma aura de divindade. Sendo assim, penso que uma última indagação se faz necessária: ele realmente é necessário à Seleção Brasileira? Reflitamos!

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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