29/06/2019 às 15h00min - Atualizada em 29/06/2019 às 15h00min

O que te faz único

Foto: Divulgação
 
Existem aqueles acontecimentos do passado que nos trazem cicatrizes difíceis de digerir, mas que, se não tivessem acontecido, você não seria a pessoa incrível que é hoje (ou deveria estar sendo). Isso me veio em mente pensando no acidente da Frida Kahlo, as dores físicas e psicológicas que definiram toda a sua trajetória artística. Impossibilitada de caminhar, encarcerada em poucos metros quadrados, porém com um gigantesco fluxo de ideias, imagens e reflexões que inspiraram mulheres por todos os anos seguintes. Mulheres de diferentes países, classes sociais, cores e situações. Mulheres que também se sentiam encarceradas, mesmo podendo caminhar. Uma força admirável. Me impressiona a abrangência dos resultados do seu acidente. Ela soube usar muito bem sua dor. Ou era sua alma que gritava tão alto que era impossível não resultar numa avalanche, que seguiria causando reações por todosos continentes nas décadas seguintes. Ela é só um exemplo no meio de tantas outras personalidades inspiradoras.

Dentro da estética Wabi-sabi existe uma técnica que uso muito nas cerâmicas que faço, o Kintsugi. Consisteem reparar rachaduras ou partes quebradas de uma peça com ouro. Nesse conceito, nasce uma forma muito autêntica de se enxergar as cicatrizes. Quando uma peça se quebra, ela não precisa ser inutilizada, ela pode ser aprimorada, de forma que seu acidente a transforme em algo ainda mais belo e impossível de se reproduzir. Ela é única. Suas rachaduras, sendo coladas com ouro, fazem com que suas cicatrizes sejam reverenciadas, não escondidas. Fazendo uma analogia às nossas cicatrizes, é sempre importante olhar, lembrar, enaltecer e agradecer. Porque elas fizeram parte da construção da sua história, da sua personalidade. Te trouxeram sabedoria e te tornaram ainda mais único.

Mas lembre-se que você não precisa de um acidente, uma doença ou um sofrimento para estar permitindo o grito da sua alma. Viva e sofra e sorria e beba e dance e ame e crie como Frida Kahlo.  

E na comida, existe Kintsugi? Acho que todas as receitas criadas a partir de aproveitamentos são muito louváveis. Esta de hoje, por exemplo, nasceu de uma água de coco que bebi no parque. Pedi para o vendedor cortar a tampa e levei o fruto para casa. Só porque me deu vontade de assar alguma coisa dentro. Simples assim. Esse coco iria para o lixo, mas virou um almoço delicioso.
 
RECEITA
 
Cogumelos assados no coco verde
 
Ingredientes
- 1 coco
- 250g de shitake fresco
- 150 ml leite de coco
- Sal
 
Preparo
Beba a água do coco, peça para tirar a tampa e leve-o para casa. Lave os cogumelos, salgue e coloque-os dentro do coco. Despeje o leite de coco por cima. Tampe com papel alumínio e leve ao forno médio por 25 minutos.
 

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
 
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