13/06/2019 às 08h26min - Atualizada em 13/06/2019 às 08h26min

Salve, rainhas!

TIAGO BESSA
Eu sinceramente não consigo compreender porquê, para algumas pessoas, o futebol feminino ainda seja motivo de estranhamento e chacota. Ainda ouço, com certa frequência, comentários jocosos sobre o fato de mulheres exercerem sua liberdade ao calçarem chuteiras e disputarem partidas de futebol. Minha dificuldade de compreender esse comportamento de alguns espécimes de brasileiros médios vem da própria história que antecedeu e forneceu as bases para o que hoje conhecemos como futebol.

Há indícios históricos de jogos semelhantes ao futebol desde o século III a.C., na China, e também no século XV na França e na Escócia. Tudo indica que o primeiro clube oficial de futebol feminino tenha sido o Ladies Football Club, fundado em 1894 na Inglaterra, pela britânica Nettie Honeyball. Durante a Primeira Guerra Mundial, com boa parte dos homens ingleses servindo às forças armadas, as mulheres compuseram os quadros de trabalhos das fábricas e continuaram disputando suas partidas de futebol, predominando neste esporte até o final da guerra.

Mas em 05/12/1921 a Federação Inglesa de Futebol, num ato misógino e ingrato, baniu as mulheres de qualquer prática ligada ao futebol, levando-as a formarem uma liga própria (English Ladies Football Association) severamente boicotada pelas ligas "masculinas". Durante décadas, ao redor do mundo, as mulheres enfrentaram enormes dificuldades para se firmarem no esporte. Mas depois de tudo, com as informações entrando pelos nossos poros, vamos repetir esse preconceito ainda hoje?

Ao passo que o futebol masculino está em plena decadência técnica (lembre-se: isto é uma coluna e esta é a minha opinião, nobre leitor!), as mulheres têm praticado um futebol de encher os olhos, ousado, com jogadas surpreendentes e reveladoras de clara evolução. E deveria ser diferente? Deveríamos ficar espantados? "Nossa, olha lá uma mulher jogando bem!". Cresçamos nós, homens, para chegarmos ao patamar destas mulheres - na vida!

E ainda tenho que ouvir o Galvão Bueno sugerir que a Cristiane é a "Cristiane Ronaldo" do futebol feminino. Não! Ela é a Cristiane mesmo!!!!



*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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