12/06/2019 às 08h28min - Atualizada em 12/06/2019 às 08h28min

Nau à deriva

FERNANDO CUNHA
Três pilotos da Marinha dos Estados Unidos da América (EUA) são forçados a pousar no Oceano Pacífico devido a uma falha no sistema de comunicação do avião que eles tripulavam durante uma interceptação aeronaval na segunda Grande Guerra. A partir daí começa uma luta pela sobrevivência que dura 34 dias. À deriva e sem saber onde estão, dois soldados inexperientes e um capitão lutam contra o tempo, a fome, a sede e sofrem diversos ataques de tubarões a bordo de um pequeno bote. Aos poucos, eles perdem a esperança de serem resgatados, mas não a vontade de viver. Harold Dixon é o capitão e assume o controle da situação. Além de encorajar os outros dois tripulantes a sobreviverem, ele usa de artifícios de localização e navegação improvisados e, finalmente, eles conseguem desembarcar numa ilha antes que alguém perdesse a vida. Essa é uma história real retratada no filme Against The Sun (The American Film Company), na tradução em português “À Deriva” (disponível no Netflix).

O que me chamou a atenção no longa é a postura de liderança do capitão Dixon, a qual serve de exemplo para diversos supervisores, gerentes, chefes de equipes, empresários e líderes que, em grande parte, não assumem a responsabilidade quando algum problema surge em seus setores na empresa ou instituição em que trabalham. Muitos deixam seus subordinados “à deriva” e se esquivam de resolverem qualquer situação desagradável que surge no dia a dia. No caso do Capitão Dixon, ao assumir o comando do bote naquela situação extrema, ele indiretamente comunicou aos seus marinheiros que possuía exatidão, poder de decisão e empatia, características comuns a grandes líderes da história, como Jesus Cristo, Mahatma Gandhi, Martin Luther King e Nelson Mandela, entre tantos outros.

Se você, leitor, é o capitão de sua embarcação, que é a sua empresa, saiba que inúmeras pesquisas mostram a sua importância para os processos de comunicação junto aos seus subordinados, pares e superiores. Na Universidade de Harvard, por exemplo, constatou-se que 70% das vezes que as informações são transmitidas pelas lideranças, a comunicação funciona. O líder tem credibilidade para falar em nome da empresa. Na Universidade da Califórnia - Los Angeles (UCLA) uma pesquisa revelou que de 70% a 90% das atividades de um líder são ações de comunicação. Ou seja, ele deixou de ser um executor de tarefas e passou a ser um mediador de conflitos e delegador de funções, tarefas e responsabilidades. No Brasil, segundo uma pesquisa feita pela DM/RH, a pedido da Revista Você S/A, 97% das 150 empresas analisadas transmitem as informações através de suas médias lideranças.

Quando o líder assume o papel de bom comunicador, até mesmo o ambiente de trabalho e a imagem da empresa se tornam positivos aos olhos dos colaboradores, de acordo com levantamento feito pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje). Mas, como adquirir exatidão, poder de decisão e empatia, que são os alicerces de uma comunicação eficaz para qualquer liderança? A adoção de três comportamentos facilitará o caminho nesse sentido:  1) Clareza na definição de regras e metas; 2) Objetividade na delegação de funções, tarefas e responsabilidades; 3) Simplicidade na hora de se relacionar com colegas e colaboradores. Mostro isso mais detalhadamente no e-book de minha autoria intitulado Fórmula da Comunicação Eficaz – O Manual Prático de Comunicação dos Grandes Líderes, ainda não publicado, mas disponível. Solicite uma cópia gratuita em pdf enviando um e-mail para [email protected]

Na prática, ter clareza é escrever numa folha de papel e deixar exposto tudo aquilo que não é negociável, como, por exemplo, um código de posturas e condutas éticas dos colaboradores e comportamentos que visem à preservação da integridade física e moral das pessoas. Ter objetividade é determinar, de maneira explícita, quem, vai fazer o que, quando, como, onde e por que na hora de delegar uma responsabilidade ou tarefa. Ter simplicidade é usar uma linguagem verbal não muito técnica, que os mais leigos consigam entender sem muito esforço intelectual e que transmita algum tipo de conhecimento. Entenda que, trabalhando diariamente seu espírito de clareza, estará desenvolvendo o seu poder de exatidão. Exercitando sua objetividade, estará fortalecendo o seu poder de decisão. E, sendo simples, estará lapidando a sua empatia, que é a arte de se colocar no lugar dos outros com ações, e não apenas com palavras.   



*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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