06/06/2019 às 08h28min - Atualizada em 06/06/2019 às 08h28min

O caso do "menino" Ney

TIAGO BESSA
O tema mais comentado nos últimos dias pelos noticiários esportivos não é esporte. Em todos os canais da TV aberta, em quase todos os seus programas, só se fala no "caso do 'menino' Ney". Um "menino" que, como já abordado em colunas passadas, não é mais um menino há tempos. Um "menino" que demonstra claramente não possuir mais ambições no futebol, pois já alcançou o que lhe parece mais caro: a fama e a riqueza. Um "menino" que só é menino quando lhe convém, principalmente quando o intento é não assumir suas responsabilidades. Típico de "menino", mesmo.

Não serei leviano afirmando que o "menino" cometeu o estupro do qual tem sido acusado e pelo qual responderá. Para mim, o "caso do 'menino' Ney" extrapola esta acusação. Ele acabou expondo a identidade da acusadora, em uma aparente tentativa de arrebanhar a opinião pública a seu favor, ao publicar um vídeo no qual se defende melodramaticamente e os prints (deixo aqui minha aversão ao estrangeirismo) de suas conversas com a mesma. E tem dado certo: o macho médio brasileiro comprou a versão do "menino" e tem usado isso para deixar aflorar seu mais enraizado machismo, utilizando toda a sorte de adjetivos não muito elogiosos à moça!

Falando de futebol (pero no mucho), o papai Tite demonstra total despreparo para lidar com o "menino" que é maior do que ele. Sua única punição - por outro motivo, inclusive - foi perder o posto de capitão do elenco. "Punição", com um belo par de aspas. Mas quando falo de Neymar só consigo pensar em aspas. Minha mente não consegue emitir um só juízo a respeito dele sem o uso das aspas. Um colecionador de fiascos com a seleção brasileira (e não me venha falar em olimpíadas!), um futebol mediano no PSG, um pavio curto que agride torcedor em estádio, um péssimo exemplo de conduta aos seus pequenos fãs.

O que parece ser verdade é que punição alguma sirva de lição a ele. Ele está muito acima de qualquer pena, de qualquer penitência e de qualquer censor. E esse é o etos de qualquer um, "menino" ou não, que tenha alcançado fama e riqueza semelhantes às dele: agir na certeza de que qualquer punição é insuficiente.

Enfim, um "menino"!
 


*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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