30/05/2019 às 08h01min - Atualizada em 30/05/2019 às 08h01min

Presidência da desgraça

JOÃO BATISTA DOMINGUES FILHO | CIENTISTA POLÍTICO
Presidência da República Federativa do Brasil tem um inquilino por legitimidade da democracia eleitoral, pós-facada na barriga, um capitão-presidente que sem pudor cívico confessa piamente à nação: “não nasci para ser presidente, nasci para ser militar; aquilo é uma desgraça; eu tenho humildade, coragem de enfrentar grupos corporativistas; país ingovernável se resistir a fazer conchavos (compartilhou); o que mais quer é conversar; Brasil é um país maravilhoso que tem tudo para dar certo, mas o grande problema é a nossa classe política.” Capitão-presidente não pratica estelionato eleitoral na forma e conteúdo como administra nosso país. Política do confronto é seu habitat natural, para ser reeleito, faltando 44 meses para o fim de seu mandato presidencial, com sucessivas derrotas no Congresso. “Brasil acima de todos” que se exploda com instabilidade política, imprevisibilidade econômica e radicalismos na sociedade civil. Extrema-direita na Presidência da desgraça: “anticonservadorismo anárquico” é o nome tatuado na testa dessa “besta-fera” à frente da governação do Brasil, segundo Miguel Lago (piauí, maio, 152). Lideranças radicalizadas entre os caminhoneiros podem tocar fogo no país, se essa Presidência da desgraça com algum risco de ser apeada do Poder Executivo.

“Sem educação, basta o presidente”: cartazes de manifestantes em todo o país, cuja resposta do capitão-presidente de chofre foi: “são uns idiotas úteis que estão sendo usados de massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais.” Brilhante: uniu sindicatos com estudantes na rua, causando inveja ao petismo. Por obra e graça do chefe do Executivo essa mobilização se agigantou. Abraham Weintraub, ministro da Educação, para alegrar seu chefe, fez molecagem substituindo o contingenciamento de 30% dos gastos discricionários por um de 3,5% do orçamento total, trucagem ridícula apenas útil aos exércitos virtuais da exaltação dessa gestão da educação. Com injúria e mentira, a Presidência da desgraça vivenciou seu primeiro grande protesto popular contra si, unindo Congresso à pauta das ruas, aumentando o bater de cabeça da horda de deputados e senadores no Legislativo. Brasil do capitalismo de grandes potencialidades está engessado pela incompetência governativa da Presidência da desgraça, sem solução administrativa à vista para a Previdência social, a questão ambiental, a questão agrária e a questão indígena. Sem administração pública eficiente e eficaz das riquezas nacionais, de sua multiplicação e de sua distribuição social.

Governação da Presidência da desgraça vive da lógica da guerra, como padrão da gestão pública entre os três Poderes da República, internalizando nessas instituições democráticas a antipolítica messiânica do chefe do Executivo. Petistas, artistas, universidade, mídia e as pessoas e ideias que são pedras no caminho na liderança do “mito” serão aniquilados, cuja submissão total é o único objetivo dessa lógica da guerra, com a esperança de aumento de sua popularidade. Governança com um único objetivo: desinstitucionalização do Estado com suas instituições democráticas. É o Brasil autoritário-patrimonialista violento, em função da herança escravista, do mandonismo, da concentração de renda e de terra. Permanece como utopia, desde a Constituição de 1988, com 30 anos de democracia, um Brasil mais igualitário, mais inclusivo, mais justo, sem esse populismo anticonservador anárquico. Armar a população é a ação macabra do capitão-presidente: cada um com seu fuzil e Deus por todos. Asneira bolsonarista para o delírio dos fiéis cínicos e esquizofrênicos.

Extrema-direita no Poder Executivo, com sustentação popular, não é conservadora de verdade e de fato por não zelar: pelo fortalecimento da autoridade, da hierarquia, da excelência e da tradição. Esse capitão-presidente é anticonservador anárquico predatório e destrutivo das instituições democráticas instituídas pela CF/88. Batizou-se evangélico sem renunciar ao catolicismo. Tem desprezo pela hierarquia e dá emprego aos “alunos” do Olavo de Carvalho. Não valoriza o sacramento do casamento, falando em “comer gente”, em vários matrimônios. Não é representante e muito menos é defensor da ordem, da hierarquia, da disciplina e da família. Presidência da desgraça em suas palavras para o mundo às gargalhadas: “quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique a vontade. Agora, [o Brasil] não pode ficar conhecido como paraíso do mundo gay aqui dentro.”


*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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