25/05/2019 às 09h00min - Atualizada em 25/05/2019 às 09h00min

Alguns toques sobre TOCs – Parte 02

TÚLIO MENDHES
Semana passada, foquei o quanto é imprescindível saber que TOC é considerado uma doença, crônico, duradouro e comum. Citei alguns dos principais sintomas como as obsessões, compulsões, rituais, repetições, evitações, preocupações excessivas, pensamentos de conteúdo impróprio ou “ruins”, medo, desconforto, aflição, culpa, depressão etc. Pois bem, hoje o objetivo é esclarecer mais sobre o assunto. Algumas pessoas me procuraram nas redes sociais, querendo saber mais sobre os sintomas do TOC e, algumas delas acreditam ter o Transtorno Obsessivo Compulsivo. Reforço à máxima: Somente um médico especialista pode diagnosticar qualquer doença. Lembre-se: O Google não é médico, a amiga da sua vizinha não tem a cura, sua bisavó também não etc. Enfim... Hoje vou focar em exemplos reais de pessoas com o transtorno obsessivo compulsivo (TOC), uma condição psiquiátrica que atinge cerca de 8 milhões de brasileiros.

Sou um desses. Tenho TOC. Pra isso faço terapia, sou medicado e aceitei essa condição. Seria hipocrisia afirmar que vivo bem com isso, afinal, é muito complicado o próprio paciente compreender suas obsessões ou compulsões. No meu caso, o Transtorno me desconcentra, causa uma confusão em minhas relações e todo esse estresse faz com que eu fixe mais em ideias próprias. Sinto-me como o personagem Cole Sear, o garoto do filme “O sexto sentido” que vê gente morta e tem dificuldades de entrosamento no colégio, pois vive paralisado de medo. Meus fantasmas (obsessões e compulsões) também atordoam-me o tempo inteiro. Vivo pisando em ovos ao tentar explicar pras pessoas que não é frescura querer que algo seja executado exatamente como peço. É como se eu fosse um disco quebrado repetindo e repetindo.

É frustrante conviver com o fortíssimo preconceito quando o assunto é o TOC. As pessoas a nossa volta geralmente encaram o assunto como frescura, piada ou uma coisa fácil de ser superada. Garanto a vocês que não é não!

Como eu disse a semana passada, esse Transtorno é uma condição difícil de ser dominada. Viver com a inconveniência de pensamentos invadindo a mente sem aviso prévio, é bastante complicado. Esses pensamentos vêm acompanhados de ritos que acalmam nossas mentes quando executados, funcionando como uma válvula de escape. Um exemplo clássico é a pessoa que sente pânico de bactérias e, passa a evitar contato com maçanetas, corrimões etc, sem falar no ritual de lavar as mãos compulsoriamente acreditando que não vai se contaminar. Enfim.

Compreendido o dilema vivido por nós, pessoas com Transtorno Obsessivo Compulsivo... levanto o questionamento: Como discernir uma pessoa com TOC daquela que apenas gosta das coisas devidamente higienizadas, organizadas etc? A resposta é concisa e certeira. Se esses hábitos prejudicarem a qualidade de vida da pessoa como a capacidade de estudar, de exercer a rotina no trabalho ou se “nascem” sentimentos como angústia, ansiedade descomunal e até uma introversão, é indispensável buscar ajuda profissional como de um psicólogo, psiquiatra, médico. É necessário ainda prestar atenção sobre o surgimento de outras doenças que “andam” de mãos dadas com TOC, como a fobia social e a bipolaridade.

Feito isso, a primeira coisa que o profissional irá realizar é a psicoeducação que, nada mais é que uma técnica que relaciona os instrumentos psicológicos e pedagógicos com objetivo de ensinar o paciente sobre o que é o TOC, quais são suas características e riscos, bem como funciona o tratamento. Mas, quer um modesto e sábio conselho de quem vive compreendendo e tratando suas próprias obsessões? É imprescindível lembrar que existe toda uma vida sem amarras nos esperando pós tratamento do TOC. Entretanto, o tratamento não será eficaz se as pessoas com o Transtorno não falarem abertamente sobre o assunto e aceitarem a ajuda oferecida. Sendo redundante: Por hoje é isso, caro leitor, mesmo sabendo que esse assunto tem muito a ser discutido, muito mesmo! Até o próximo sábado!


*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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