18/05/2019 às 10h00min - Atualizada em 18/05/2019 às 10h00min

Alguns toques sobre TOC’s

TÚLIO MENDHES
“O maior entrave da doença é o dissabor, o desgosto, a decepção com as pessoas que nos cercam e nos atacam cinicamente com um preconceito debochado. Diagnosticam-nos com excesso de “frescura” ou loucura. Infelizmente, esse preconceito dissemina chacotas a respeito do TOC”

Antes me deixe contar o motivo desse tema. No último fim de semana, recebi a visita de três queridos amigos. Enquanto conversávamos, surgiu o assunto sobre TOC. Eu comecei citando os meus e o quanto tenho sofrido para que as pessoas respeitem e não julgassem como frescura. Afinal, o termo “frescura” é a primeira coisa que se passa na cabeça de quem não convive com o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

É imprescindível saber que TOC é considerado uma doença, crônica, duradoura e comum. O diagnóstico pode ser realizado por especialistas como psiquiatras, psicólogos, neurologistas, clínico geral e, no caso das crianças, o próprio pediatra pode detectar o TOC. Os principais sintomas são obsessões, compulsões, rituais, repetições, evitações, preocupações excessivas, pensamentos de conteúdo impróprio ou “ruins”, medo, desconforto, aflição, culpa, depressão. Contudo, é supercomum a existência de pessoas com apenas um dos tipos de sintomas.

Além dos sintomas “padrões”, o Transtorno Obsessivo Compulsivo causa grande transtorno na vida de pessoas diagnosticadas produzindo consequências negativas em suas vidas sociais, profissionais e pessoais. Por exemplo, sofremos diariamente com muitos medos como o de falhar, cometer erros, medo de imperfeições. Em casos mais extremos, existe o constante medo de contrair doenças. Esses medos nos fazem evitar todas as situações que possam “ativá-los”, provocá-los, ou seja, entram em cenário as “evitações” que, apesar de não típicas do TOC, encontram-se como um dos principais entraves motivados pelo transtorno.

Contudo, o maior entrave da doença é o dissabor, o desgosto, a decepção com as pessoas que nos cercam e nos atacam cinicamente com um preconceito debochado. Diagnosticam-nos com excesso de “frescura” ou loucura. Infelizmente, esse preconceito dissemina chacotas a respeito do TOC, ou pior, faz com que pessoas afirmam que o transtorno é simples de ser “resolvido”. Caro leitor, não julgue! Pergunte sobre o assunto para aquela pessoa que você acredita que tenha TOC. Pergunte a ela como “funciona”, seus medos, rituais, obsessões etc. Compreenda a temática e dissemine conhecimento sobre. Afinal, o TOC é dominador. Sem nenhum aviso prévio, ele apodera-se de nossas razões e as atacam sem piedade com pensamentos, cismas inconvenientes que fazem com que, repetitivamente, tenhamos comportamentos reforçados por um rito chamado compulsão, ou seja, um comportamento irracional e repetitivo que segue um padrão de regras e etapas extremamente rígido, geralmente pré-estabelecido, que funciona como uma “válvula de escape” atenuando, refreando, sossegando nossas mentes.

Mas o que causa o TOC? Bom, as principais teorias que cercam as causas da doença têm como fatores a genética, a biologia e o meio ambiente. Provado mesmo é que o Transtorno Obsessivo Compulsivo se manifesta através de um conjunto de fatores desde hereditários até os relacionados a situações de estresse, estilo de vida e uma frágil estrutura familiar. Além de situações como traumas no parto, abuso nos primeiros anos de vida e até infecções estão associadas à gênese do transtorno. Outras fases e momentos, como o nascimento de um filho, também contribuem para o desenvolvimento do TOC, aliás, nesse ponto, os pais e mães predispostos em desenvolver o transtorno, criam uma preocupação doentia a tudo que se relaciona com o bebê, que, consequentemente, sofrerá com o comportamento dos pais.

Ainda falando sobre pais, é importante que eles e os demais responsáveis por crianças ou adolescentes fiquem atentos a seus comportamentos, afinal, os sintomas de TOC podem “aparecer” desde cedo, por exemplo, a necessidade de verificar várias vezes o material na mochila, amarrar e desamarrar o cadarço do tênis repetidamente, refazer ou verificar a tarefa escolar também várias vezes, etc.

Quanto mais cedo começar o tratamento, melhor para o paciente.

Esse assunto tem muito que ser dito, muito mesmo! Farei um “resumão” e trarei no próximo sábado. Até lá.



*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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