17/05/2019 às 12h23min - Atualizada em 17/05/2019 às 12h23min

Bicho gente!

CELSO MACHADO
Com conhecimento inútil de quem não sabe nada continuo desenvolvendo minhas teorias “celsianas”. Esta é mais uma delas.

No final dos anos 1960, início da década de 1970 o cantor considerado, aliás merecidamente no meu ponto de vista, o mais brega do Brasil, Waldick Soriano, lançou a música que o consagrou e foi um grande sucesso popular “Eu não sou cachorro não”.

A letra falava do tratamento de humilhação e desprezo que sua amada lhe dedicava. Da mesma maneira que fazia com seu amigo de quatro patas. Como se fosse comum na época maltratar bichos.

De lá para cá muita coisa mudou e algumas, felizmente, para melhor. Hoje seria ridículo, para não dizer falso, associar maus tratos com uma maneira normal de tratar animais. Em muitos casos - e pode botar muitos nisso - tem cachorro nos tempos atuais com tratamento que muita gente gostaria de receber. Nada mais justo, porque como animais de estimação pelo tanto que nos oferecem, realmente fazem por merecer a reciprocidade do nosso carinho.

Há 15 anos temos uma cachorrinha em casa, para a surpresa dos mais chegados que até então ouviam de mim que não queria ter. Recusei inúmeras ofertas até que nos 15 anos da nossa filha, uma amiga muito querida a presenteou com uma linda e dócil yorkshire. Seu nome: Kiara.

Com sua meiguice ela conquistou todos nós, inclusive eu. Quando alguém questionava minha mudança de opinião fazia questão de esclarecer que existe uma diferença clara entre não querer e não gostar.

No meu caso não queria para não assumir as atividades de cuidado que temos que ter com relação as criações que passam a fazer parte da nossa vida.

Mais tarde outra cachorra veio incorporar ao meu cotidiano. Uma vira lata pura de nome Pantera, fiel companheira de todos os finais de semana que passamos em nosso sítio.

Ambas recebem nossos carinhos e cuidados. Ainda que bem menores em quantidade ao que nos oferecerem. Ninguém é obrigado a adotar animais domésticos, mas se o fazem, não tem o menor sentido lhes maltratar.

Nunca lhes perguntei, não só porque não tem como responder, como porque para mim está clara a resposta, de que não concordariam de maneira alguma com a letra do maior sucesso de Waldick Soriano. Se fosse hoje ele seria copiosamente vaiado. E não por cães apenas.

Feitas as colocações, passo para teoria “Celsiana” mencionada na abertura deste artigo. Para mim quem não trata cachorro, gato, papagaio ou outro animal de estimação seja lá qual for com respeito, atenção e afeto não é capaz de agir diferente em relação a gente.

Quem tem afeto não perde oportunidade de ser cuidadoso, com bicho gente ou outro. É uma questão de princípio, de caráter, de berço.

Fico indignado quando vejo maltrato com animais. Dá até vontade de compor para essas pessoas uma melodia que se Waldick Soriano estivesse vivo talvez fizesse o mesmo sucesso: “Eu não sou gente não”!

Vale outra reflexão, se animal adora carinho por mais simples que seja, porque gente seria diferente?

Au au ou miau para vocês. Bom final de semana!
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