16/05/2019 às 10h01min - Atualizada em 16/05/2019 às 10h01min

Presidência da Cloaca

JOÃO BATISTA DOMINGUES FILHO | CIENTISTA POLÍTICO
Brasil batizado pelo capitão-presidente em sua governação de Presidência da cloaca de Olavo de Carvalho, sabotador licenciado por essa Presidência, legitimada pela sociedade civil, facilitando a aproximação dos militares com o Congresso, frutificando vivandeiras que se alastram entre Deputados Federais e Senadores da Republica, levando, mais uma vez, as Forças Armadas se constituírem em parte dos problemas para o desenvolvimento da democracia brasileira. Simbiose entre os militares e o Estado na governança desse capitão-presidente, inquilino do Planalto, é mais um teste de resiliência para as instituições democráticas da República brasileira, desafiando a crença dos 57 milhões de seus eleitores, cuja cabeça presidencial ninguém decifra.

Presidência da cloaca é um circo da fuzarca governativa. “Governantes-fantasias” metidos à besta são marionetes do capitão-presidente: Olavo, Carlos, Eduardo, Ernesto, Vélez, Weintraub e demais zumbis gestores dessa governação que ainda tem muito para fazer mal ao Brasil e suas instituições democráticas. Jair Messias Bolsonaro presidente da República Federativa do Brasil é único responsável pelos resultados pífios de sua governança: paralisia da administração pública e conflitos improdutivos com o Congresso, contra seus próprios interesses presidenciais. Capitão-presidente é agente ativo da sabotagem de sua Presidência para virar uma cloaca sem fim com brigas de baixo nível para alegrar a arquibancada bolsonarista em êxtase macabro. Capitão-presidente não vai mudar de rumo sua governação: caminho escolhido sem volta e sem conserto. Vai sempre dobrar a aposta para o mal da democracia brasileira. Escolheu seu destino Presidência da cloaca: doses cavalares de sofrimentos para a maioria dos brasileiros, dadas suas convicções, crenças e valores, enigmas que empurram o Brasil para o abismo da sua Presidência populista. Esse capitão-presidente, cinicamente, acena com “mea culpa”: “Somos humanos, todos erram. Alguns erros são perdoáveis, outros não. Tenho que ser sublime, senão dá tudo errado.” Para piorar sua situação governativa, o ministro-que-perde-todas Sérgio Moro tem sob sua gerência, juntamente com a combalida farda o homem-bomba desse capitão-presidente: Fabrício Queiroz. Polícia Federal e o Centro de Informações do Exército sabem de sua localização residencial.

Brasil vive sob as crises de suas instituições representativas, a partir da Constituição de 1988. Executivo e Judiciário com mais poderes que o Legislativo. Poderes de agenda concentrados nas mãos do presidente da República. Chefe do Executivo é o legislador principal. Judiciário munido de prerrogativas geradoras de poderes muito além de mero intérprete da CF/88, cujo ativismo judicial torna-se o meio de cada juiz do STF ser proativo e intérprete da Constituição ao sabor de seu capricho ou brilhantismo intelectual, criando novos sentidos e expandindo a CF/88. Daí a Presidência da cloaca, num círculo perverso para a democracia, cria conflitos sem fim entre os dois poderes: Executivo e Judiciário. Esse tipo de subversão da democracia é novo para a ciência política: erosão gradual da democracia por meio constitucional. Acreditou-se que o jogo eleitoral a partir CF/88 equacionaria os conflitos de interesses difusos da sociedade no interior das relações entre os poderes: dentro das instituições democráticas da República brasileira. Atraso econômico, desigualdade crescente de renda e conservadorismo da maioria da sociedade são lenhas na fogueira para queimar rapidamente, com aplausos dos eleitores-contribuintes, a democracia brasileira. Democracia sobrevive, com instituições democráticas, em países economicamente desenvolvidos. Capitalismo desenvolvido sem democracia é a opção chinesa. Populismo sem democracia e sem desenvolvimento econômico é opção brasileira.

Presidência da cloaca é indutora, ainda, da continuidade da desindustrialização brasileira em graus crescentes por não fazer nada para parar esse processo vivenciado pela indústria. O núcleo industrial de maior intensidade tecnológica entre 1980 e 2016 perdeu 40% de peso no Produto Interno Bruto, com expansão concomitante do setor de serviços, com baixos salários e qualificação. Desemprego de 13 milhões de brasileiros, aumentando o horror de se viver no Brasil, com sua indústria de transformação perdendo peso no PIB para o setor de serviços, mantendo o Brasil preso na armadilha da renda média, redutora dos setores de alta e média-alta em tecnologia. 


*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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